Custo real do crédito rural é quase cinco vezes o valor oficial
O custo do crédito rural no Brasil é muito maior do que o divulgado pelo governo. Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da PUC-Rio, em parceria com a Climate Policy Initiative (CPI), revelou que o custo total anual do crédito rural entre 2023 e 2025 foi de R$ 59,6 bilhões, quase cinco vezes os R$ 12,5 bilhões anunciados oficialmente.
Componentes do custo real
Além dos subsídios explícitos do Tesouro Nacional, o estudo identificou outros custos relevantes: benefícios fiscais, financiamento público por meio de títulos e renegociações de dívidas. Esses itens somados elevam significativamente o valor que o Estado e a sociedade arcam para sustentar o crédito rural.
Pouco foco em sustentabilidade
Dos R$ 59,6 bilhões anuais, apenas 31,9% têm algum direcionamento social, ambiental ou climático. A maior parte dos recursos não está atrelada a metas de sustentabilidade, o que contrasta com os compromissos climáticos do Brasil.
Concentração e falta de transparência
O estudo critica a concentração do crédito em segmentos de maior renda e a falta de transparência nos critérios de distribuição. Segundo os pesquisadores, é necessário reorientar os subsídios para produtores mais vulneráveis e alinhar o crédito rural às metas climáticas do país.
O pecuarista entrevistado afirmou: "O que a gente precisa agora é de agilidade pra abrir novos mercados, reduzir dependência de poucos compradores e dar segurança jurídica para o produtor rural continuar investindo".



