O Parlamento de Cuba aprovou um pacote de reformas econômicas que representa a maior abertura da economia cubana em quase 70 anos. A medida aproxima o país de uma economia de mercado e reduz significativamente o controle do governo sobre os setores produtivos. O texto foi aprovado por unanimidade pelos parlamentares.
Detalhes das reformas
Quando entrar em vigor, o pacote permitirá investimentos privados e estrangeiros em setores como turismo, agricultura, imobiliário, bancário e cambial. Bancos estrangeiros poderão se instalar em Cuba, e o governo abrirá o capital de empresas estatais, permitindo a entrada de investidores. Além disso, propriedades poderão ser vendidas até mesmo para cubanos que vivem no exterior.
Empreendedores cubanos serão autorizados a possuir mais de uma empresa e contratar mais de 100 funcionários, algo que era proibido anteriormente. O presidente Miguel Díaz-Canel negou que as mudanças representem uma alteração no regime socialista. Ele afirmou: "O que estamos defendendo é, acima de tudo, o dilema de continuar o processo de construção socialista".
Contexto histórico
Na década de 1960, a ditadura de Fidel Castro nacionalizou empresas privadas cubanas e estrangeiras, incluindo pequenos negócios familiares. Foi apenas em 2021 que o governo voltou a autorizar a criação de pequenas empresas com até 100 funcionários, como medida para conter a crise econômica e o descontentamento social.
Momento tenso com os EUA
A aprovação das reformas ocorre em um momento de economia debilitada e tensão nas relações entre Cuba e os Estados Unidos. Desde janeiro de 2026, os americanos impuseram um bloqueio ao petróleo destinado à ilha, o que tem provocado apagões frequentes. O presidente Donald Trump já declarou que "seria uma honra tomar Cuba". No entanto, o pacote de reformas pode abrir caminho para uma nova relação entre os dois países.
As medidas representam uma tentativa do governo cubano de atrair investimentos e aliviar a crise, mas ainda há incertezas sobre o impacto real na economia e na sociedade cubana.



