Especialistas preveem manutenção do comércio internacional apesar de tensões geopolíticas
Comércio seguirá firme mesmo com tensões, dizem especialistas

Especialistas apontam resiliência do comércio global

Apesar do aumento das tensões geopolíticas entre as principais potências econômicas, o comércio internacional deve permanecer em um patamar elevado, afirmam analistas consultados pelo Valor. A previsão é de que as trocas comerciais não sofram rupturas significativas, embora ajustes setoriais sejam inevitáveis.

De acordo com o economista-chefe de uma consultoria internacional, João Pedro Silva, "as cadeias globais de valor já passaram por choques anteriores e demonstraram notável capacidade de adaptação. A tendência agora é de diversificação de fornecedores e aceleração da regionalização, mas sem colapso do fluxo comercial".

Impactos setoriais e ajustes logísticos

O setor de tecnologia é um dos mais afetados pelas recentes restrições. Dados do Instituto de Estudos para o Comércio Internacional mostram que as exportações de semicondutores caíram 12% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. No entanto, outros segmentos, como agronegócio e energia, mantiveram crescimento médio de 5%.

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"O comércio de commodities continua robusto, pois a demanda por alimentos e energia é inelástica no curto prazo", explica Maria Fernanda Oliveira, analista sênior de comércio exterior. "Mesmo com barreiras tarifárias pontuais, os fluxos se redirecionam para mercados alternativos."

Perspectivas para o Brasil

Para o Brasil, a expectativa é de que a corrente de comércio atinja US$ 650 bilhões em 2026, uma alta de 3,5% em relação ao ano anterior. O país tem se beneficiado da demanda chinesa por soja e minério de ferro, além de novas parcerias com a União Europeia e o Sudeste Asiático.

"O Brasil está em posição privilegiada por ser um grande exportador de alimentos e minerais. Mesmo em cenário de fragmentação global, o comércio brasileiro tende a se manter aquecido", afirma Carlos Mendes, professor de economia internacional da FGV.

Riscos e incertezas

Apesar do otimismo moderado, os especialistas ressaltam que o cenário ainda é volátil. Medidas protecionistas, sanções econômicas e conflitos cambiais podem gerar instabilidade. "O maior risco é uma escalada retaliatória entre blocos comerciais, o que poderia levar a uma contração global de até 2% do PIB", alerta Silva.

"Porém, até o momento, os sinais são de que os países estão evitando uma ruptura total, preferindo negociações setoriais e acordos bilaterais", complementa Oliveira. "O comércio continuará, mas em formato mais complexo e fragmentado."

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