Como decisão dos EUA pode afetar Bolsa, juro e câmbio no Brasil
Como decisão dos EUA pode afetar Bolsa, juro e câmbio no Brasil

O anúncio de um novo tarifaço pelos Estados Unidos gerou apreensão nos mercados globais, e o Brasil não ficou imune. A decisão americana de impor tarifas adicionais sobre uma ampla gama de produtos importados pode ter efeitos significativos sobre a Bolsa de Valores brasileira (B3), as taxas de juros e o câmbio. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney analisam os possíveis cenários.

Impacto na Bolsa

A B3 já sentiu o reflexo das incertezas externas. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou queda de 1,2% no pregão seguinte ao anúncio, pressionado por ações de empresas exportadoras e ligadas a commodities. Setores como siderurgia e mineração foram os mais afetados, uma vez que dependem fortemente do mercado americano. "A imposição de tarifas reduz a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, o que pode levar a uma revisão para baixo das expectativas de lucro dessas empresas", afirma Carlos Braga, analista de mercado da XP Investimentos.

Efeitos nos juros

As taxas de juros futuras também reagiram. Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento em 2026 e 2027 apresentaram alta, refletindo a expectativa de que o Banco Central possa elevar a Selic para conter possíveis pressões inflacionárias decorrentes do tarifaço. "Se as tarifas americanas encarecerem os produtos importados, isso pode gerar inflação importada, forçando o BC a agir", explica Maria Silva, economista-chefe do Banco ABC Brasil. Por outro lado, a demanda por títulos públicos brasileiros pode aumentar, já que investidores estrangeiros buscam proteção em mercados emergentes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Câmbio sob pressão

O dólar comercial subiu 0,8% no dia do anúncio, cotado a R$ 5,12. A moeda americana se fortaleceu globalmente, e o real acompanhou a tendência de desvalorização das moedas emergentes. "O tarifaço gera aversão ao risco, e o investidor foge para ativos seguros, como o dólar", diz João Pedro, estrategista de câmbio do Santander Brasil. A expectativa é de que o câmbio continue volátil, com possível intervenção do Banco Central por meio de leilões de swap cambial.

Reações do mercado

O mercado financeiro reagiu com cautela. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) emitiu nota alertando para os riscos de uma escalada protecionista. "O Brasil precisa diversificar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência do mercado americano", defendeu o presidente da Anbima, José Carlos. Já o Ministério da Economia informou que acompanha a situação e que pode adotar medidas para mitigar os impactos, como a abertura de novos mercados na Ásia e na Europa.

Perspectivas futuras

Analistas preveem que, se o tarifaço for mantido, o Brasil pode enfrentar um período de crescimento econômico mais lento, com impacto no PIB. "Estamos monitorando de perto. Uma guerra comercial prolongada pode reduzir as exportações brasileiras em até 5% este ano", projeta Luiz Fernando, economista do Itaú Unibanco. A recomendação para investidores é de cautela: diversificar a carteira, com exposição a ativos de renda fixa indexados à inflação e proteção cambial.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar