O sonho de deixar a classe média e entrar para o seleto grupo dos mais ricos no Brasil é estatisticamente difícil. Na média nacional, um jovem nascido na classe média tem apenas 17,57% de chance de alcançar o topo da pirâmide de renda. Os números fazem parte de um levantamento que analisou a mobilidade social em cada estado, e o resultado não é animador: a maioria esmagadora permanece na mesma faixa ou até perde posição econômica.
Santa Catarina é o estado com maior possibilidade de ascensão
Do ponto de vista regional, Santa Catarina aparece como o estado que mais proporciona chances para quem nasceu na classe média. Segundo os dados da pesquisa, os catarinenses têm a maior probabilidade entre todos os estados de chegar ao grupo dos mais ricos, o que coloca o estado do Sul no topo do ranking de mobilidade ascendente.
O desempenho catarinense chama atenção por destoar da média nacional. Embora a publicação original não traga a lista completa com os percentuais de todas as unidades da federação, a liderança de Santa Catarina é um sinal de que as condições econômicas e o mercado de trabalho locais são mais favoráveis à ascensão social.
O que explica a dificuldade de mobilidade?
A baixa probabilidade de um jovem de classe média chegar ao grupo dos mais ricos reflete uma estrutura econômica que concentra renda no topo. Para atravessar essa barreira, não basta viver em um país em crescimento; é preciso que haja políticas que ampliem o acesso à educação de qualidade, ao crédito e a postos de trabalho bem remunerados.
No caso brasileiro, a classe média é um segmento amplo e heterogêneo, que vai de famílias com renda familiar próxima a um salário mínimo por pessoa até lares e meio. O grupo dos mais ricos, por outro lado, é uma parcela mínima da população, o que torna a passagem de um patamar para o outro um evento raro.
Estudos sobre mobilidade social costumam indicar que a escolaridade dos pais, a qualidade da escola frequentada e o acesso a redes de contatos são fatores determinantes. Quando esses elementos são desiguais entre estados, as chances de ascensão também se tornam desiguais.
Por que Santa Catarina se destaca?
Ainda que o levantamento não detalhe todos os critérios, a literatura especializada aponta que estados do Sul tendem a apresentar melhores indicadores de educação e de formalização do trabalho. Santa Catarina, especificamente, tem uma economia diversificada, com polos industriais, tecnológicos e agroindustriais, além de municípios de pequeno e médio porte que distribuem melhor a renda.
- Educação básica com melhores índices de aprendizado
- Elevada taxa de formalização do emprego
- Menor desigualdade interna em comparação com outras regiões
Esses fatores, em conjunto, criam um ambiente em que uma pessoa que parte da classe média tem mais instrumentos para subir de patamar. No entanto, mesmo em Santa Catarina, a chance não é garantida, e a maior parte dos jovens catarinenses de classe média não atinge o topo.
Impacto para o país e para as políticas públicas
Os 17,57% de chance em nível nacional são um termômetro da dificuldade de ascender socialmente no Brasil. O número reforça a necessidade de políticas que ataquem a origem da desigualdade, como a melhoria da escola pública, o acesso ao ensino técnico e superior e a geração de empregos de maior produtividade.
Para quem nasceu na classe média e deseja ficar rico, a mensagem principal é a do título original: não é fácil. A mobilidade social é possível, mas depende de uma combinação de fatores individuais e estruturais que, na prática, mantêm a pirâmide social bastante rígida.
Os dados também contribuem para o debate sobre meritocracia. Se as oportunidades são tão desiguais entre estados, o sucesso econômico individual não pode ser atribuído apenas ao esforço pessoal. O lugar onde se nasce ainda é um dos principais preditores de para onde se pode chegar.
A divulgação do ranking, ainda que incompleta, cumpre o papel de evidenciar um dos maiores desafios do desenvolvimento brasileiro: fazer com que a prosperidade não seja privilégio de poucos, mas um caminho acessível a partir de diferentes pontos de partida.



