O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil não se curva à bandeira americana e não quer ficar preso à polarização entre Estados Unidos e China. A declaração ocorreu após a formalização da primeira emissão de títulos soberanos brasileiros em moeda chinesa, os chamados 'panda bonds'.
Emissão histórica de títulos em yuan
Durigan anunciou que o Brasil emitiu títulos no valor de 5 bilhões de yuans (cerca de R$ 3,8 bilhões), com vencimento em três anos. A operação foi realizada no mercado chinês e representa um marco na diversificação da dívida externa brasileira. 'Estamos mostrando que o Brasil tem autonomia para buscar parcerias que beneficiem nosso desenvolvimento, sem alinhamento automático a nenhuma potência', disse o ministro.
Críticas ao tarifaço de Trump
O ministro também reiterou que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump é 'injusto' e prejudica o comércio global. 'O protecionismo americano não ajuda ninguém. O Brasil defende um sistema multilateral de comércio, com regras claras e justas para todos', afirmou Durigan, durante cerimônia em Pequim.
Fortalecimento de laços com a China
Além da emissão dos títulos, o Brasil anunciou a instalação de uma representação da Receita Federal em Pequim. O objetivo é facilitar o comércio bilateral e intensificar o combate ao crime organizado e à sonegação fiscal. 'Teremos um escritório dedicado a apoiar empresas brasileiras e chinesas, além de trocar informações para evitar ilícitos transfronteiriços', explicou o ministro.
Desenvolvimento sustentável como prioridade
Durigan destacou que o Brasil quer liderar a agenda de desenvolvimento sustentável global. 'Não queremos ficar presos na geopolítica de ninguém. Queremos ser protagonistas na transição ecológica e na economia verde', afirmou. A emissão de títulos em yuan está alinhada a essa estratégia, segundo ele, pois permite financiar projetos de infraestrutura sustentável.
Impacto na dívida brasileira
A diversificação da dívida com a inclusão do yuan reduz a exposição ao dólar e ao risco cambial. Especialistas avaliam que a medida pode abrir portas para novos investidores asiáticos. 'É um passo importante para ampliar as fontes de financiamento do país', avaliou o economista-chefe de uma consultoria internacional, que preferiu não ser identificado.



