O Brasil sofreu uma queda de sete posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral. Na edição deste ano, o País ocupa um desalentador 65.º lugar entre 70 economias, à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Brasil é o pior entre os latino-americanos
Entre os vizinhos da América Latina, o Brasil amarga a pior posição. Chile (43.º), Porto Rico (52.º), Argentina (58.º), Colômbia (59.º), Peru (60.º) e México (62.º) estão todos à sua frente. A queda reflete problemas estruturais que persistem há anos, especialmente na eficiência do Estado.
Apesar de um desempenho razoável em indicadores como “atração de investimento estrangeiro” e “geração de energia renovável”, o País falha em áreas fundamentais. No quesito “eficiência governamental”, o Brasil ficou na penúltima colocação: 69.º entre 70 países, superando apenas a Venezuela. Esse resultado é altamente revelador da ineficiência estatal.
Ineficiência do Estado e educação de baixa qualidade
A ineficiência do Estado está na raiz de muitos problemas crônicos do Brasil, começando pela educação básica de baixa qualidade. Da primeira infância à capacitação profissional, o País falha sistematicamente na qualificação de seus cidadãos. Não por acaso, a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre).
O contraste com economias asiáticas é constrangedor. China e Coreia do Sul, outrora mais pobres que o Brasil, investiram décadas em educação, infraestrutura e tecnologia. Hoje, superam o País amplamente em PIB per capita, indicadores educacionais e produtividade do trabalho.
Comparação enganosa com a Suíça
O Brasil só não está ainda pior no ranking porque em “performance econômica” aparece uma posição acima da Suíça (36.ª ante 37.ª). Contudo, a comparação é enganosa. A economia suíça combina alta eficiência governamental com excelente infraestrutura, ocupando o 3.º lugar geral, atrás de Singapura e Hong Kong. Seu PIB per capita é praticamente dez vezes maior que o brasileiro.
O crescimento econômico do Brasil não tem bases sólidas. O País insiste em estratégias de curto prazo, como estímulo ao consumo imediato, em vez de reformas estruturais de longo prazo. Corre o risco de perder posições até mesmo nos quesitos em que ainda não figura na lanterna.
Fim da escala 6x1 e produtividade
Como se o quadro já não fosse grave, o País está prestes a aprovar o fim da escala de trabalho 6x1, medida cujos efeitos deletérios sobre a produtividade são conhecidos. O objetivo é desfrutar condições de trabalho típicas de nações desenvolvidas, com jornadas mais curtas, sem passar pelas reformas estruturais e investimentos de longo prazo que tornaram essa realidade possível.
Os números do Fundo Monetário Internacional (FMI) dimensionam o fosso. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global cresceu 675%; o do Brasil avançou 428%, menos de dois terços da média mundial. Enquanto Coreia do Sul, Taiwan e Singapura escaparam da armadilha da renda média, o Brasil parece ter se acomodado nela. Como já sublinhamos em editorial anterior (O Brasil escolheu o atraso, 10/5/2026), a opção pelo desperdício é tanto mais lamentável quanto maiores são as oportunidades desperdiçadas.
O País dispõe de capital humano, extensão territorial e diversidade de recursos que poucos no mundo podem contrastar. Se não está inscrito em pedra que o Brasil está condenado à mediocridade, há escolhas que nos mantêm aprisionados a esse fado. Enquanto essas escolhas não mudarem, os rankings continuarão a retratar este país que decidiu ser medíocre.



