BofA corta preço-alvo de Petrobras e PRIO, mas mantém compra
BofA corta preço-alvo de Petrobras e PRIO, mantém compra

O Bank of America (BofA) revisou para baixo suas estimativas para o setor de petróleo e gás da América Latina, após reduzir suas projeções para o preço do petróleo. O banco cita o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a perspectiva de reabertura total do Estreito de Ormuz. Apesar do cenário menos favorável para a commodity, o banco manteve Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3) entre suas principais recomendações no Brasil. Petrobras, Vista e YPF são as ações preferidas na América Latina.

Redução das projeções para o Brent

Os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Marcondes e Nicolas Barros, que assinam o relatório, reduziram a projeção para o Brent em 2026 de US$ 93 para US$ 82 por barril, e passaram a trabalhar com um preço de longo prazo de US$ 70 por barril, abaixo dos US$ 75 anteriores. A mudança ocorre após a assinatura de um memorando de entendimento entre EUA e Irã que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Cortes nos preços-alvo das empresas brasileiras

Com isso, o banco cortou em média 15% os preços-alvo das empresas brasileiras de exploração e produção sob sua cobertura. Para a Petrobras, o preço-alvo passou de R$ 65 para R$ 55 por ação, enquanto o preço-alvo para a PRIO foi reduzido de R$ 82 para R$ 71. A Brava Energia (BRAV3) teve o alvo reduzido de R$ 26,50 para R$ 22,50 e a PetroReconcavo (RECV3), de R$ 16,50 para R$ 13,50.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Recomendação de compra mantida para Petrobras e PRIO

Mesmo com a revisão, o BofA reiterou recomendação de compra para Petrobras e PRIO, com as duas companhias oferecendo forte geração de caixa e retornos atrativos aos acionistas. Para a Petrobras, os analistas projetam yields de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de 15% em 2026 e 14% em 2027, patamar considerado superior ao de grandes petroleiras europeias. Além disso, a companhia deve registrar crescimento médio anual de produção de 5,2% até 2028, impulsionado principalmente pelo campo de Búzios, no pré-sal. O banco também minimiza preocupações relacionadas ao ambiente político à medida que se aproxima a eleição presidencial brasileira. Na avaliação dos analistas, a estatal possui hoje uma estrutura de governança mais robusta, o que limita riscos de interferência direta na estratégia da companhia.

Destaques da PRIO

Na PRIO, o principal destaque é a forte geração de caixa. O BofA estima rendimentos de FCFE de 19% em 2026, 28% em 2027 e 30% em 2028, mesmo considerando a aquisição da participação remanescente no campo de Peregrino. O banco também vê potencial adicional com o aumento da produção do campo de Wahoo e com o anúncio de uma política formal de distribuição de capital, esperado para os próximos meses.

Visão cautelosa para Brava e PetroReconcavo

Já para Brava Energia e PetroReconcavo, a visão permanece mais cautelosa. A Brava segue com recomendação neutra devido aos riscos de execução e às incertezas envolvendo a tentativa de aquisição de controle pela colombiana Ecopetrol. No caso da PetroReconcavo, os analistas apontam crescimento mais lento da produção e geração de caixa inferior à de seus pares.

Revisão das estimativas para empresas argentinas

Além das mudanças no Brasil, o banco também revisou suas estimativas para empresas argentinas. Vista Energy e YPF continuam entre as preferidas do BofA no país, apoiadas pelo potencial de crescimento da formação de Vaca Muerta e pela melhora das condições macroeconômicas argentinas. O preço-alvo da Vista foi reduzido de US$ 115 para US$ 107 por ADR, enquanto o da YPF caiu de US$ 64 para US$ 61 por ADR. Os analistas do BofA avaliam que a redução do risco-país da Argentina ajuda a compensar parcialmente o impacto negativo do petróleo mais barato.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Perspectivas para o mercado global de petróleo

Ainda assim, o principal fator para todo o setor continua sendo a nova dinâmica do mercado global de petróleo, que deve operar com preços mais moderados caso a reabertura de Ormuz avance conforme o esperado. Segundo o cenário-base do BofA, a normalização dos fluxos na região levaria o Brent a uma média de US$ 82 por barril em 2026 e de US$ 70 em 2027. Apesar disso, os analistas destacam que os estoques globais permanecem apertados e que o mercado ainda deve registrar déficit de oferta ao longo deste ano, o que limita uma queda mais acentuada dos preços da commodity.