Futebol e raça: estudo revela racismo persistente nos estádios brasileiros
Futebol e raça: racismo persiste nos estádios brasileiros

Uma pesquisa inédita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que 68% dos jogadores negros do futebol brasileiro já sofreram injúria racial dentro de campo. O estudo, realizado entre 2023 e 2025, ouviu 450 atletas profissionais de clubes das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro.

Dados alarmantes sobre racismo nos gramados

De acordo com o levantamento, 85% dos episódios ocorreram em estádios, com xingamentos vindos de torcedores. Em 12% dos casos, a agressão partiu de companheiros de equipe ou adversários. Apenas 3% dos incidentes foram denunciados formalmente às autoridades.

“O medo de retaliação e a falta de confiança nas instituições explicam a subnotificação”, afirma o coordenador da pesquisa, professor Carlos Alberto dos Santos. “O racismo estrutural no futebol é um reflexo da sociedade brasileira, que ainda não enfrenta o problema com a seriedade necessária.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Punições brandas e impunidade

O estudo aponta que, dos casos denunciados, apenas 20% resultaram em punição aos agressores. Na maioria, as penalidades se limitaram a advertências ou multas simbólicas. Nenhum caso chegou à prisão.

“A legislação atual é insuficiente. Precisamos de medidas mais duras, como a perda de pontos do clube e a proibição de entrada nos estádios para os agressores”, defende o advogado especialista em direito desportivo, João Paulo Silva.

Campanhas de conscientização e mudanças

Em resposta, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma parceria com o Ministério da Igualdade Racial para lançar a campanha “Racismo zero nos estádios”. A iniciativa prevê treinamento obrigatório para jogadores, árbitros e dirigentes, além de canais de denúncia anônimos.

“É um passo importante, mas não suficiente. O futebol precisa se posicionar ativamente contra o racismo, não apenas com campanhas, mas com ações concretas”, opina a socióloga e pesquisadora da UERJ, Maria Fernanda Oliveira.

Impacto na saúde mental dos atletas

A pesquisa também revelou que 74% dos jogadores negros que sofreram injúria racial relataram sintomas de ansiedade e depressão. Muitos afirmaram pensar em abandonar a carreira por causa do preconceito.

“O racismo adoece. É urgente que os clubes ofereçam apoio psicológico e que a sociedade se engaje no combate a essa violência”, conclui o professor Carlos Alberto dos Santos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar