Uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) mostra que nem o diploma universitário garante a ascensão de mulheres negras a cargos de liderança no Brasil. O estudo, que analisou dados de 2015 a 2025, aponta que apenas 7% dos cargos de alta direção em empresas de grande porte são ocupados por mulheres negras, mesmo entre aquelas com formação superior completa.
Diferenças salariais e de oportunidades persistem
Os números revelam que, em média, mulheres negras com diploma ganham 30% menos que homens brancos com o mesmo nível educacional. A coordenadora da pesquisa, Ana Beatriz Santos, destaca: “A educação é um fator importante, mas não é suficiente para romper as barreiras do racismo e do machismo estruturais. As mulheres negras enfrentam um teto de vidro mais espesso.”
Impacto na carreira e representatividade
A pesquisa também aponta que a falta de representatividade nos escalões superiores desmotiva jovens negras a buscarem carreiras de liderança. Para a socióloga Carla Oliveira, que não participou do estudo, “os dados mostram que as políticas de diversidade nas empresas ainda são insuficientes e muitas vezes apenas cosméticas”.
Propostas de mudança
Entre as recomendações do estudo estão a implementação de cotas em cargos de chefia, programas de mentoria focados em mulheres negras e a criação de canais de denúncia para discriminação. A pesquisa conclui que, sem ações afirmativas contundentes, a igualdade racial no mercado de trabalho continuará distante.



