Mais de 50 anos após ser dada como morta pela ditadura de Augusto Pinochet, a ativista chilena Bernarda Vera Contardo foi encontrada viva na Argentina. A confirmação veio por meio de um teste de DNA, que encerrou um dos casos mais emblemáticos do regime militar chileno. Bernarda, integrante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), estava na lista oficial de desaparecidos desde 1973.
O Caso Bernarda Vera Contardo
Bernarda Vera Contardo tinha 23 anos quando foi detida por agentes da ditadura, em meados de 1973, pouco após o golpe que derrubou Salvador Allende. Como militante do MIR, ela era considerada uma ameaça ao regime. Por décadas, sua família acreditou que ela havia sido executada e seu corpo ocultado, como ocorreu com milhares de opositores. No entanto, Bernarda conseguiu fugir para a Argentina, onde viveu sob uma identidade fictícia durante todo o período da ditadura e após o retorno da democracia.
A Confirmação pelo DNA
O desfecho do caso ocorreu após uma investigação jornalística da emissora chilena Chilevisión, que localizou uma mulher na Argentina com características compatíveis com Bernarda. Amostras de DNA foram coletadas e comparadas com o material genético de familiares, confirmando a identidade em 99,9%. O resultado foi divulgado em julho de 2026, causando comoção no Chile e reacendendo o debate sobre os crimes da ditadura.
Vida na Argentina
Segundo a reportagem, Bernarda construiu uma nova vida na Argentina, onde trabalhou como comerciante e formou uma família. Ela optou por não revelar sua verdadeira identidade para evitar represálias, já que muitos ex-agentes do regime ainda estavam impunes. Apenas nos últimos anos, com o avanço das investigações e a condenação de vários militares, ela se sentiu segura para se expor.
Impacto e Significado
O caso de Bernarda Vera Contardo é um dos raros em que uma pessoa considerada morta é encontrada viva. Segundo dados de organizações de direitos humanos, mais de 3.000 pessoas foram mortas ou desapareceram durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), e apenas algumas dezenas foram localizadas com vida. A descoberta traz alívio para a família, mas também levanta questões sobre como o Estado chileno lidou com os desaparecidos. "É uma mistura de alegria e dor", disse um familiar em entrevista ao Chilevisión. "Alegria por saber que ela está viva, mas dor por todos os anos perdidos." O governo chileno ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.



