Uma pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest revela uma contradição preocupante na educação infantil no Brasil: 91% dos brasileiros defendem o diálogo como método principal para educar crianças, mas 56% justificam o uso de violência física em algumas situações. O levantamento também aponta que 49% dos entrevistados já deram tapas em crianças, 62% já gritaram com os filhos e 27% usaram objetos para bater.
Violência física e psicológica ainda naturalizadas
De acordo com os dados, a palmada é a forma mais comum de violência física admitida, com 49% dos brasileiros afirmando já terem batido em crianças. Além disso, 62% relataram já ter gritado com os filhos, o que configura violência psicológica. O uso de objetos como cintos, chinelos ou fios para bater foi reportado por 27% dos entrevistados. A pesquisa também revela que muitos adultos não intervêm ao presenciar agressões contra crianças em público, o que contribui para a perpetuação da violência.
Desconhecimento das leis de proteção infantil
O estudo aponta que a maioria dos brasileiros desconhece as leis que proíbem castigos físicos e tratamentos cruéis ou degradantes contra crianças, como a Lei da Palmada (Lei 13.010/2014). Apenas 30% dos entrevistados afirmaram conhecer a legislação, o que pode explicar a resistência em mudar práticas educativas tradicionais. Para a coordenadora da pesquisa, Ana Paula de Oliveira, “a educação baseada em violência é ineficaz e prejudicial ao desenvolvimento infantil, mas ainda é vista como normal por grande parte da população”.
Segurança digital e escolar também preocupam
Além das práticas educativas, a pesquisa abordou outros temas relacionados à infância. A segurança digital foi citada como uma das maiores preocupações dos pais: 78% dos responsáveis temem que seus filhos sejam expostos a conteúdos inadequados ou sofram bullying online. Já a segurança escolar preocupa 65% dos entrevistados, que apontam a violência nas escolas como um problema crescente. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todo o Brasil entre os dias 10 e 20 de junho de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais.



