Uma pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável revela que 62% dos brasileiros não interviriam ao testemunhar agressões contra crianças em público. O levantamento foi divulgado dias após o caso de um pai flagrado chutando o rosto da filha de 3 anos em Francisco Beltrão (PR), que gerou comoção nacional.
Naturalização da violência infantil
O estudo aponta que a violência contra crianças é naturalizada no Brasil. Muitos entrevistados alegaram receio de se envolver ou acreditam que a educação é responsabilidade exclusiva das famílias. Apenas 38% dos participantes disseram que interviriam em uma situação de agressão.
Para a psicóloga infantil Ana Maria Silva, ouvida pela pesquisa, "a omissão é preocupante porque a criança depende de adultos para sua proteção. Quando a sociedade se cala, a violência se perpetua".
Caso emblemático
O caso de Francisco Beltrão envolveu um pai que chutou o rosto da própria filha de 3 anos em via pública. A testemunha José Luiz Fernandes, que filmou a agressão, afirmou ter sido ameaçado pelo homem. O vídeo viralizou e levou à prisão do agressor.
A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 10 e 20 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Impacto social
Especialistas apontam que a falta de intervenção pode agravar o ciclo de violência. "Crianças agredidas sem testemunhas que denunciam tendem a sofrer abusos continuados", afirma o sociólogo Carlos Mendes, coordenador do estudo. Ele defende campanhas de conscientização e canais de denúncia mais acessíveis.
O Disque 100, serviço de denúncia de violações de direitos humanos, registrou aumento de 15% nas denúncias de violência infantil no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.



