A pausa no uso das chamadas 'canetas emagrecedoras', como Ozempic e Wegovy, tem levado muitos pacientes a reconsiderar a cirurgia bariátrica como alternativa para o controle da obesidade. O alerta é do médico especialista do Instituto Medicina em Foco, que ressalta que a obesidade é uma doença crônica e recidivante, e a interrupção desses medicamentos sem acompanhamento médico tende a resultar em reganho de peso significativo.
Obesidade como doença crônica
A obesidade é classificada como uma condição crônica que exige tratamento contínuo. Os medicamentos agonistas do GLP-1, como a semaglutida, têm se mostrado eficazes na perda de peso, mas seu uso prolongado é necessário para manter os resultados. Quando os pacientes interrompem o tratamento por conta própria, sem orientação, o efeito rebote pode levar ao rápido retorno dos quilos perdidos.
Segundo o médico, muitos pacientes chegam ao consultório após meses de uso das canetas, com boa perda de peso inicial, mas enfrentam dificuldades quando o tratamento é suspenso. 'O paciente perde peso, mas se não houver uma reeducação alimentar e mudança de hábitos, o reganho é quase inevitável', explica.
Reconsideração da bariátrica
Com a dificuldade de manter o peso perdido apenas com medicamentos, a cirurgia bariátrica volta a ser considerada. O procedimento, que promove restrição gástrica e alterações hormonais, oferece uma solução mais duradoura para a obesidade severa. No entanto, o especialista ressalta que a bariátrica não é indicada para todos os casos e deve ser avaliada individualmente.
'A cirurgia bariátrica é uma ferramenta poderosa, mas exige comprometimento do paciente com mudanças no estilo de vida. Não é uma solução mágica', afirma o médico. Ele destaca que o ideal é que o tratamento da obesidade seja multidisciplinar, combinando medicamentos, dieta, atividade física e, quando necessário, cirurgia.
Riscos da automedicação
O uso indiscriminado das canetas emagrecedoras sem prescrição médica também preocupa. Efeitos colaterais como náuseas, vômitos e pancreatite podem ocorrer, especialmente se o paciente não for adequadamente monitorado. O médico do Instituto Medicina em Foco reforça a importância de buscar orientação profissional antes de iniciar ou interromper qualquer tratamento para obesidade.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o Brasil realizou cerca de 70 mil cirurgias bariátricas em 2023, número que pode aumentar com o crescimento da demanda por parte de pacientes insatisfeitos com os resultados temporários dos medicamentos.
Conclusão
A pausa nas canetas emagrecedoras serve como um alerta para a necessidade de tratamento contínuo da obesidade. A bariátrica surge como alternativa, mas não substitui a adoção de hábitos saudáveis. O acompanhamento médico é fundamental para evitar o efeito sanfona e garantir a saúde do paciente a longo prazo.



