Trump adiará ataque ao Irã se acordo for rápido
Trump adiará ataque ao Irã se acordo for rápido

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que está disposto a adiar um novo ataque militar contra o Irã caso as negociações nucleares cheguem a um acordo "rapidamente". Em uma entrevista à imprensa, Trump estabeleceu um prazo de 48 horas para que Teerã aceite as condições das potências mundiais, sob pena de retomada dos bombardeios. A declaração foi divulgada em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio, com tropas americanas em alerta máximo na região do Golfo.

Segundo o presidente, os Estados Unidos já têm alvos definidos e forças posicionadas para uma ofensiva de grande escala. A ordem de ataque, no entanto, será revogada se houver um compromisso claro do governo iraniano com a suspensão do enriquecimento de urânio e a abertura total das inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Essa é a condição que Washington considera inegociável para um acordo abrangente.

As negociações atuais têm origem na retirada dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Completo (JCPOA) em 2018 e na subsequente retomada de sanções, que levaram Teerã a expandir seu programa nuclear. Desde 2021, as conversas para reviver o acordo vêm sendo realizadas em Viena, mas enfrentam sucessivos impasses. O novo ultimato de Trump acontece em um momento de fragilidade das tratativas, marcadas por desconfiança mútua e exigências concorrentes.

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Outros atores internacionais acompanham o desenrolar das negociações com apreensão. A China e a Rússia, que mantêm laços econômicos com o Irã, defendem uma solução diplomática e alertaram contra ações militares que possam desestabilizar a região. Por outro lado, Israel pressiona por uma postura mais firme contra o programa nuclear iraniano, aumentando a complexidade do cenário.

Pressão por um acordo rápido

O ultimato aumenta a pressão sobre o Irã, que enfrenta sanções econômicas severas e um programa nuclear considerado avançado pelos serviços de inteligência ocidentais. Relatórios recentes da AIEA indicam que o país enriqueceu urânio a níveis de até 60%, um percentual que preocupa as chancelarias, pois se aproxima do necessário para uma arma nuclear. Teerã, no entanto, insiste que seu programa tem fins pacíficos.

Para analistas, a estratégia de Trump combina demonstração de força e abertura para a diplomacia. Ao estabelecer um limite de 48 horas, o líder americano busca forçar uma decisão rápida em um momento em que as conversas entre Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) estão estagnadas. De acordo com Trump, os Estados Unidos preferem um acordo a um conflito, mas a paciência de Washington tem limites. Diplomatas europeus, no entanto, avaliam que o prazo é curto demais para superar as diferenças históricas, especialmente no cronograma para a remoção de sanções e no nível de enriquecimento permitido.

Impacto nos mercados e próximos passos

O clima de incerteza já se reflete nos mercados financeiros. O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu mais de 3% nas primeiras horas de negociação no mercado asiático, refletindo o temor de uma interrupção no fornecimento do Golfo Pérsico. Investidores também monitoram possíveis reflexos no preço do gás natural e em bolsas de valores internacionais. O ouro, considerado um porto seguro, registrou alta de 1,2%.

Enquanto isso, os olhares se voltam para Teerã. Nos próximos dias, negociadores iranianos devem se reunir com representantes do grupo 5+1 para discutir uma minuta de acordo que circula entre as chancelarias. Se houver um avanço concreto, Trump afirmou que estenderá o prazo e cancelará definitivamente a ordem de ataque. Caso contrário, a comunidade internacional teme uma nova escalada militar no Oriente Médio.

A Casa Branca, por sua vez, não deu detalhes sobre a natureza do novo ataque que estaria planejado. Analistas militares especulam que poderia envolver bombardeios aéreos contra instalações de enriquecimento, centros de pesquisa e bases da Guarda Revolucionária do Irã. A situação segue em desenvolvimento.

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