Retaliação do Brasil aos EUA pode envolver royalties e patentes farmacêuticas
Retaliação do Brasil aos EUA pode envolver royalties e patentes

O governo brasileiro avalia retaliar os Estados Unidos com medidas que podem incluir a suspensão de royalties e patentes farmacêuticas, em resposta às tarifas impostas pela administração Trump sobre aço e alumínio. A informação foi divulgada por fontes do Palácio do Planalto, que destacam a busca por alternativas que minimizem impactos no comércio bilateral.

Medidas em estudo

Entre as opções analisadas está a quebra temporária de patentes de medicamentos, permitindo a produção nacional de genéricos sem pagamento de royalties. Essa estratégia visa pressionar o governo americano sem afetar diretamente setores como agronegócio e manufatura. Segundo o Ministério da Economia, a retaliação será calibrada para evitar danos à economia doméstica.

Contexto da disputa

As tarifas americanas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio, anunciadas em março, atingiram diretamente as exportações brasileiras. O Brasil é um dos maiores fornecedores de aço para os EUA, com vendas anuais de cerca de US$ 3 bilhões. A resposta brasileira busca equilibrar a balança comercial sem escalar o conflito.

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Especialistas apontam que a retaliação via patentes pode ser eficaz, mas arriscada, pois pode gerar tensões no setor farmacêutico. A indústria de medicamentos responde por parcela significativa do PIB brasileiro e emprega milhares de trabalhadores.

Reações políticas

O presidente Lula criticou as tarifas americanas, classificando-as como protecionistas. “Não podemos aceitar medidas unilaterais que prejudicam nosso desenvolvimento”, afirmou. Já o senador Flávio Bolsonaro acusou o governo de politizar a crise. “O governo Lula culpa a família Bolsonaro, mas não apresenta soluções concretas”, disse.

A Fiesp também se manifestou, criticando a postura do governo federal. “O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com uma diplomacia mais ativa”, declarou a entidade em nota.

Impactos econômicos

O JPMorgan avaliou que o tarifaço tem impacto econômico limitado, mas efeito político mais relevante. Para o banco, a retaliação brasileira deve ser moderada para não prejudicar investimentos. Enquanto isso, o governo liberou a compra de carros seminovos por motoristas de aplicativo e taxistas, como medida para estimular a economia.

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