O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica de mais de uma hora nesta semana, abordando temas centrais da relação bilateral e da agenda global. De acordo com informações divulgadas pela Presidência da República, os dois líderes trataram de cooperação em áreas estratégicas, defenderam o avanço nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a China e discutiram conflitos internacionais, incluindo as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Cooperação estratégica entre Brasil e China
Durante a ligação, Lula e Xi reafirmaram o compromisso de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, que completou 30 anos em 2024. A conversa concentrou-se em setores como energia, tecnologia, agricultura e infraestrutura. Segundo o governo brasileiro, ambos os presidentes destacaram a importância de diversificar as relações comerciais e de investimentos, evitando a dependência excessiva de commodities. A China é o maior parceiro comercial do Brasil há mais de uma década, com um fluxo de comércio que ultrapassou US$ 150 bilhões em 2023.
No campo tecnológico, os líderes discutiram a cooperação em inteligência artificial, 5G e energias renováveis. O Brasil busca atrair investimentos chineses para projetos de infraestrutura digital e transição energética, enquanto a China procura acesso a matérias-primas estratégicas, como minério de ferro e soja. A conversa também abordou a participação chinesa no programa de satélites brasileiros e na exploração de terras raras.
Acordo Mercosul-China ganha impulso
Um dos pontos centrais do diálogo foi a aceleração das negociações para um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a China. Atualmente, o bloco sul-americano mantém tratados apenas com países como Chile, Egito, Israel e Índia. A China já é o maior mercado para as exportações do Mercosul, mas um acordo formal poderia reduzir tarifas e ampliar o acesso a produtos industrializados. Lula defendeu que o acordo seja “ambicioso e equilibrado”, beneficiando tanto a agropecuária brasileira quanto a indústria chinesa.
As negociações entre Mercosul e China estão em estágio preliminar, com estudos de viabilidade em andamento. Especialistas apontam que um acordo poderia aumentar o PIB do bloco em até 2% ao ano. No entanto, há resistências internas no Mercosul, especialmente da Argentina, que teme a concorrência chinesa em setores industriais. Lula e Xi discutiram formas de superar esses entraves, incluindo a possibilidade de um acordo gradual, com prazos diferenciados para produtos sensíveis.
Conflitos internacionais na pauta
Os dois presidentes também trocaram impressões sobre os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Lula defendeu uma saída negociada para a guerra na Ucrânia, com mediação de países neutros, incluindo a China. Xi, por sua vez, reafirmou a posição chinesa de respeito à integridade territorial e defendeu o diálogo como único caminho para a paz. Sobre Gaza, ambos condenaram a violência contra civis e pediram o fim das hostilidades, além da implementação da solução de dois Estados.
A conversa telefônica ocorre em um momento de reaproximação entre Brasil e China, após um período de relações menos intensas durante o governo anterior. Lula já visitou a China em 2023, e Xi tem previsão de vir ao Brasil em 2025 para a cúpula do BRICS. A ligação foi considerada produtiva pelo Palácio do Planalto, que destacou a boa sintonia entre os dois líderes em temas como reforma das instituições multilaterais e combate às mudanças climáticas.



