Irã perdeu escudo de mísseis convencionais e aceita acordo, diz Rubio
Irã perdeu escudo de mísseis e negocia acordo com EUA

Em entrevista concedida ontem à Fox News, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o Irã ainda possui armas capazes de causar danos, mas já não dispõe do “escudo” de mísseis convencionais no qual Teerã pretendia se esconder para executar seus planos nucleares.

Segundo Rubio, essa perda alterou os cálculos do regime iraniano e abriu caminho para uma negociação. “Agora estamos nos aproximando deles a partir de uma posição de força, não de uma posição de fraqueza, que é o que percebiam das administrações anteriores e, francamente, do mundo em geral”, declarou o secretário.

Na avaliação do chefe da diplomacia americana, a disposição do Irã em discutir desnuclearização e a situação dos estreitos, em especial o de Ormuz, é consequência direta do novo equilíbrio militar imposto pelos EUA.

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Posição de força e escudo de mísseis

Rubio explicou que o Irã queria uma arma nuclear e, para chegar a esse objetivo, investiu na construção de um “escudo de mísseis convencionais”. Esse arsenal funcionaria como proteção para que o país pudesse desenvolver seu programa sem ser alvo de resposta militar imediata.

“Em essência, eles queriam estar em uma posição, daqui a um ano e meio, de poder dizer: ‘temos tantos drones e tantos mísseis que você não pode se defender contra eles’. Esse era o lugar onde eles queriam chegar. O presidente Trump disse que não vamos”, afirmou Rubio, reforçando que a estratégia americana foi justamente impedir que o Irã atingisse esse patamar.

De acordo com o secretário, o Irã ainda mantém capacidade de causar danos no curto prazo, mas a ausência do escudo de mísseis convencionais deixa o país mais vulnerável e, ao mesmo tempo, mais propenso a buscar um acordo que evite um confronto de grandes proporções.

Trump suspende ataques ao Irã

As declarações de Rubio foram feitas antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a suspensão dos ataques ao Irã. A medida, segundo Trump, atende a pedidos de Teerã e do Oriente Médio e tem como objetivo acelerar as negociações para um acordo de paz.

Apesar da pausa nos ataques, o presidente americano ressaltou que os Estados Unidos seguem “prontos e preparados” para agir contra o Irã. A sinalização mantém a pressão militar enquanto as conversas avançam, sem dar ao regime iraniano a segurança de que a ameaça americana desapareceu.

Regime iraniano precisa mudar

Rubio também defendeu que o regime iraniano “precisa mudar” em razão de sua postura tradicionalmente expedicionária. Os esforços para exportar a revolução, segundo ele, precisam ser interrompidos, e o preço para o Irã continuar agindo assim deve se tornar alto demais.

“Eles querem exportar a revolução. Isso precisa mudar, e a única maneira de mudar isso é tornando o preço disso alto demais para eles poderem pagar”, afirmou o secretário de Estado.

A fala indica que a administração Trump não se limita à questão nuclear e também busca conter as ações regionais do Irã, incluindo o apoio a grupos aliados e a influência no Oriente Médio.

Venezuela e a transição democrática

Na mesma entrevista, Marco Rubio comentou a situação da Venezuela. Ele afirmou que o país ainda enfrenta muitos problemas econômicos e que, no fim, será preciso um momento de transição, com eleições legítimas.

A declaração reforça o foco do secretário em temas de política externa para além do Oriente Médio, em um momento em que o governo americano busca soluções negociadas em diferentes frentes, mantendo posições firmes em relação a regimes considerados adversários.

Próximos passos das negociações

Com a suspensão dos ataques e a disposição do Irã em conversar, a atenção se volta para os termos do possível acordo. O secretário de Estado deixou claro que a única razão para o atual comportamento iraniano é a posição de força conquistada pelos EUA, e não uma mudança voluntária de postura.

A continuidade das negociações dependerá da capacidade de Washington de manter o equilíbrio entre pressão e diplomacia, garantindo que o Irã não volte a usar o tempo para reconstruir seu escudo de mísseis ou avançar rumo a uma arma nuclear.

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