Um bombeiro militar da reserva, de 46 anos, foi preso preventivamente no bairro Raiar do Sol, zona Oeste de Boa Vista, suspeito de perseguir, ameaçar, cometer violência psicológica e tentar estuprar a ex-companheira, de 29 anos. A ação foi realizada pela Polícia Civil de Roraima, por meio do Departamento de Operações Especiais (Dopes) e do Grupo de Resposta Tática (GRT), em conjunto com agentes do Programa Brasil Contra o Crime – Operação Divisas, uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) coordenada no estado pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento entre o casal era marcado por violência psicológica, controle e humilhações. Após o término da relação, no início de julho, o suspeito passou a perseguir a vítima e a tentar controlar a rotina dela. O mandado de prisão preventiva foi decretado pela Vara Criminal de Caracaraí, município localizado no Sul de Roraima.
O caso de 8 de julho
De acordo com a investigação, no dia 8 de julho, o homem pediu que a ex-companheira fosse até o apartamento dele para aplicar um medicamento injetável. Depois do procedimento, ele insistiu para que ela permanecesse no local. Diante da recusa, o suspeito tentou estuprá-la. A mulher conseguiu fugir e, a partir de então, passou a sofrer uma série de ameaças e ofensas.
Quando foi bloqueado no WhatsApp e nas redes sociais, o investigado encontrou uma nova forma de assédio: passou a fazer transferências bancárias via Pix com valores simbólicos, como R$ 0,01 e R$ 1. As mensagens ofensivas e ameaçadoras eram escritas no campo de descrição das operações, uma espécie de recado que chegava diretamente à vítima.
Monitoramento e perseguição
As investigações revelaram ainda que o bombeiro da reserva monitorava a rotina da ex-companheira. Ele procurava saber os horários dela, perguntava a conhecidos se ela participaria de eventos esportivos e chegava a aparecer em locais frequentados pela mulher, inclusive no ambiente de trabalho. Esse comportamento se enquadra no crime de perseguição, conhecido como stalking, previsto no Código Penal brasileiro.
Durante a apuração, a polícia localizou um boletim de ocorrência registrado em 2021 por outra ex-companheira do suspeito. De acordo com a corporação, ela relatou ter sofrido violência psicológica, perseguições e chantagens emocionais semelhantes às investigadas no caso atual. Na época, a mulher chegou a solicitar medidas protetivas, mas não representou criminalmente contra o homem.
Padrão de intimidação
Para o delegado Bruno Gabriel, responsável pelo caso, as provas colhidas indicaram um padrão de perseguição e intimidação, o que motivou a Polícia Civil a pedir a prisão preventiva do investigado. Além da detenção, a Justiça determinou a suspensão do porte e da posse de arma de fogo do suspeito, assim como o recolhimento de qualquer armamento que estivesse sob responsabilidade dele.
O processo tramita em segredo de Justiça para preservar a identidade da vítima. Após a prisão, o bombeiro militar da reserva foi encaminhado ao 2º Distrito Policial, onde teve o mandado cumprido. Ele deve passar por audiência de custódia e permanecerá à disposição da Justiça.
Violência contra a mulher
O caso reforça a importância de denunciar a violência doméstica e familiar. Vítimas podem procurar a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher ou registrar boletim de ocorrência em qualquer unidade policial. Medidas protetivas de urgência podem ser solicitadas, como ocorreu no processo contra o bombeiro.
O g1 Roraima segue acompanhando o caso e divulgou orientações sobre como pedir ajuda. Leia outras notícias do estado.



