Dois helicópteros que atuavam no combate aos incêndios florestais que atingem a Grécia colidiram no ar na manhã deste domingo, 2. O acidente ocorreu sobre a região de Pstah, a oeste de Atenas, conforme informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros grego à agência AFP. Um dos tripulantes foi encontrado com vida, mas ainda não há confirmação oficial sobre o número total de ocupantes das aeronaves nem sobre o estado de saúde deles.
Acidente e operação de resgate
De acordo com o Corpo de Bombeiros, equipes de busca e resgate foram imediatamente acionadas para localizar e socorrer as tripulações das duas aeronaves modelo Bell. A emissora estatal ERT noticiou que um dos tripulantes foi encontrado em segurança, mas não detalhou quantas pessoas estavam a bordo de cada helicóptero. As circunstâncias exatas da colisão ainda estão sendo investigadas.
O choque entre as aeronaves ocorre em um momento crítico para a Grécia, que enfrenta uma série de focos de incêndio espalhados pelo território, muitos deles em áreas florestais de difícil acesso. A região de Pstah, onde aconteceu a colisão, está entre as mais afetadas pelos ventos fortes que têm dificultado o trabalho dos bombeiros.
Ventos de 100 km/h dificultam combate
O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, usou as redes sociais para comentar a situação. “Quando os ventos sopram com tamanha força, nem mesmo as dezenas de aeronaves de que dispomos conseguem operar com segurança”, escreveu no Facebook, referindo-se às rajadas que chegaram a 100 km/h na região. A velocidade do vento tem sido um dos principais obstáculos para o controle das chamas, obrigando as equipes a priorizar a segurança dos profissionais e a proteger áreas habitadas.
Além disso, o premiê destacou que a natureza e a intensidade dos fenômenos meteorológicos atuais superam qualquer planejamento humano. “Há momentos em que a natureza e a intensidade dos fenômenos meteorológicos superam qualquer planejamento humano e qualquer capacidade operacional”, assinalou. As declarações reforçam a preocupação do governo com a escalada dos incêndios em plena temporada turística, quando o país recebe milhões de visitantes.
Devastação em números
Em apenas uma semana, mais de 16 mil hectares de florestas e terras agrícolas foram consumidos pelas chamas. O número foi divulgado por autoridades gregas e evidencia a gravidade da situação, que afeta não apenas a vegetação nativa, mas também propriedades rurais e comunidades inteiras. A fumaça e a destruição já são visíveis a dezenas de quilômetros de distância, inclusive em regiões próximas à capital Atenas.
Imagens divulgadas por agências de notícias mostram helicópteros lançando água sobre florestas tomadas pela fumaça perto de Porto Germeno, a noroeste de Atenas, e também na região da Beócia, onde um bombeiro segura mangueiras durante o combate a um incêndio florestal. Essas áreas, situadas a cerca de 70 quilômetros da capital, estão entre as mais atingidas pela onda de calor que assola o Mediterrâneo.
Grécia em estado de alerta máximo
A Grécia é afetada por incêndios florestais todos os verões, em decorrência das frequentes ondas de calor e da seca prolongada. No entanto, até agora o país havia se mantido relativamente a salvo dos grandes focos que castigaram França e Espanha no início do verão no hemisfério norte. Com a chegada das chamas em seu território, o governo grego elevou o estado de alerta para o nível máximo, especialmente por causa do período de alta temporada turística, quando a concentração de pessoas em áreas de risco aumenta.
Especialistas apontam que a crise climática tem intensificado os fenômenos extremos em toda a bacia do Mediterrâneo, tornando os verões mais secos e quentes. As temperaturas elevadas, combinadas com ventos fortes, criam condições propícias para a rápida propagação do fogo. As autoridades locais têm trabalhado em conjunto com equipes de outros países para conter as chamas, mas as condições adversas impõem desafios constantes.
O acidente com os helicópteros é mais um episódio que ressalta os riscos enfrentados por bombeiros e pilotos que atuam no combate aos incêndios. A prioridade agora é garantir o resgate de todas as vítimas e apurar as causas da colisão, enquanto o país segue em luta contra o fogo.



