EUA renovam tarifaço de 50% contra Brasil e acusam perseguição a Bolsonaro
EUA renovam tarifaço de 50% e acusam perseguição a Bolsonaro

A nova decisão do governo Trump de prorrogar por mais um ano a ordem executiva que impôs o tarifaço de 50% a produtos do Brasil tem a digital do grupo próximo à família Bolsonaro nos Estados Unidos e demonstra que mais sanções por motivações políticas podem ter como alvo brasileiros. A renovação, anunciada nesta terça-feira, ocorre mesmo depois de os EUA já terem aplicado duas novas tarifas ao Brasil – de 25% e de 12,5% – e apesar de a ordem original ter sido derrubada pela Suprema Corte dos EUA.

Pressão do entorno de Bolsonaro

Segundo pessoas próximas à família Bolsonaro, que falaram ao blog sob condição de anonimato, elas seguiam em tratativas com o governo Trump para que mais sanções fossem adotadas, preferencialmente contra indivíduos no Brasil. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, chegou a comemorar publicamente medidas anteriores contra o Brasil, como o cancelamento de vistos de autoridades do governo Lula e a aplicação da Lei Magnitski contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em 2025, Eduardo postou agradecimento a Trump após o anúncio do tarifaço, conforme registrado em suas redes sociais.

Acusações formais da Casa Branca

No comunicado oficial, o governo Trump voltou a fazer uma série de acusações contra o governo brasileiro. A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos, infringem os direitos de livre expressão de cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos EUA em proteger seus cidadãos e empresas". Além disso, acusa membros do governo brasileiro de "perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores", em clara referência a Jair Bolsonaro. O texto ainda cita o STF como "promotor de censura", menciona "prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão" e "censura de conteúdos na internet".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Efeito político e simbólico

A renovação da ordem executiva não tem efeito prático, já que foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA. No entanto, a decisão manda uma mensagem política ao tocar novamente em censura e no que alega ser uma perseguição a um ex-presidente. O gesto ocorre em meio à crescente tensão diplomática entre os dois países, que já resultou em sanções econômicas e pessoais. Em 2025, além do tarifaço de 50%, os EUA aplicaram a Lei Magnitski contra Alexandre de Moraes, bloqueando todos os eventuais bens do ministro, de sua esposa e de uma empresa do casal nos EUA. Em dezembro do mesmo ano, o governo americano retirou Moraes da lista de sancionados, mas o ato anterior já havia gerado forte reação no Brasil.

Contexto das sanções

A ordem executiva original, assinada em 30 de julho de 2025, permitiu a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como retaliação a supostas práticas de censura e perseguição política. A medida foi contestada na Justiça americana e, posteriormente, derrubada pela Suprema Corte. Mesmo assim, o governo Trump optou por renová-la simbolicamente, sinalizando insatisfação com o governo Lula. A Lei Magnitski, por sua vez, foi utilizada para congelar bens de autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. No caso de Moraes, a acusação era de censura e perseguição a opositores políticos, especialmente apoiadores de Bolsonaro.

Reações no Brasil

O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a renovação da ordem executiva. No entanto, fontes do Itamaraty indicam que a medida será analisada com atenção, mas sem expectativa de impacto comercial imediato, já que a tarifa de 50% continua suspensa por decisão judicial. Já aliados de Bolsonaro comemoram a pressão internacional contra o STF e o governo Lula. O ex-presidente, condenado em primeira instância por crimes relacionados à liberdade de expressão, segue como figura central na narrativa de perseguição política difundida por seus apoiadores.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Perspectivas futuras

A renovação da ordem executiva pode abrir caminho para novas sanções individuais, especialmente contra autoridades brasileiras envolvidas em processos contra Bolsonaro e seus aliados. Pessoas próximas à família Bolsonaro afirmam que as tratativas com o governo Trump continuam, visando ampliar o alcance das medidas. Enquanto isso, a relação bilateral entre Brasil e EUA enfrenta um de seus momentos mais delicados, com acusações mútuas e medidas unilaterais que testam os limites da diplomacia.