Os Estados Unidos e o Irã assinaram oficialmente um acordo de trégua na última quarta-feira (17), marcando um passo significativo para o fim do conflito entre as duas nações. O documento, divulgado pelos EUA, contém 14 pontos e estabelece um prazo de 60 dias para que as partes discutam questões pendentes e cheguem a um acordo definitivo. Apesar do avanço, as negociações prometem ser complexas, já que ambos os lados se mostram inflexíveis em pontos cruciais, como o programa nuclear iraniano e a situação no Líbano.
Memorando de Entendimento
O 'memorando de entendimento' inclui garantias de que o Irã nunca desenvolverá armas nucleares, a suspensão das sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto prevê um cessar-fogo de 60 dias para a discussão dos detalhes do acordo final, com a possibilidade de extensão por mais 60 dias caso não haja consenso.
Questões Delicadas em Discussão
Entre os pontos mais sensíveis está a situação do Líbano. O Irã condicionou a assinatura do acordo a um cessar-fogo pleno que incluísse o país vizinho, onde Israel, aliado dos EUA, realiza ataques desde março sob o pretexto de combater o Hezbollah. Israel é acusado de alvejar civis e destruir infraestrutura civil, resultando em mais de 1 milhão de deslocados internos. Israel não assinou o acordo de paz e mantém tropas em uma zona de 10 km ao sul do Líbano. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, criticou a reação de Israel, indicando um estremecimento nas relações entre os dois países.
Outro ponto de consenso inicial é a abertura do Estreito de Ormuz para a passagem de navios, fundamental para o comércio internacional de petróleo e gás. O Irã se comprometeu a restabelecer o tráfego em 30 dias, mas a passagem gratuita é garantida por apenas 60 dias. O pedágio proposto pelo Irã para reconstrução será um tema de negociação.
O programa nuclear iraniano é talvez o tema mais delicado. O Irã aceita abrir mão de seu programa apenas com garantias sólidas de segurança e o fim das sanções. As negociações definirão o nível de enriquecimento de urânio permitido e a destinação do estoque atual, estimado em 11 toneladas, com 441 kg enriquecidos a 60%. Os EUA buscam um acordo mais rigoroso que o de 2015, do qual Trump se retirou. Analistas apontam que o Irã ganhou poder de barganha ao mostrar resiliência durante a guerra.



