Diplomacia dos EUA perde influência e prestígio na era Trump
Diplomacia dos EUA perde influência e prestígio

Um novo estudo do think tank Council on Foreign Relations (CFR) constatou que a diplomacia dos Estados Unidos perdeu influência e prestígio durante o governo de Donald Trump, com aliados históricos questionando a confiabilidade do país. A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira, analisou indicadores como participação em acordos multilaterais, confiança em pesquisas de opinião e capacidade de liderança em crises globais.

Queda nos indicadores de influência

De acordo com o relatório, a confiança na liderança dos EUA caiu de 48% em 2016 para 33% em 2020 entre países da OTAN. No mesmo período, a participação americana em tratados internacionais diminuiu 40%, com saídas do Acordo de Paris, do acordo nuclear com o Irã e do Conselho de Direitos Humanos da ONU. "Os números mostram um declínio sem precedentes na capacidade de Washington de moldar a agenda global", afirmou o diretor do CFR, Richard Haass, em entrevista coletiva.

Aliados se distanciam

O estudo destaca que a percepção negativa não se limita a adversários. Na Alemanha, apenas 12% dos entrevistados consideram os EUA um parceiro confiável, ante 42% em 2016. Na França, o índice caiu de 38% para 19%. "A política externa americana tornou-se errática e centrada em interesses de curto prazo, o que afastou aliados tradicionais", comentou Haass. A pesquisa aponta que a China aproveitou o vácuo, aumentando sua influência na Ásia e na África.

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Impacto na segurança global

A perda de prestígio tem consequências concretas. Em 2020, apenas 23% dos países-membros da ONU apoiaram posições dos EUA em votações na Assembleia Geral, contra 38% em 2016. A capacidade de formar coalizões também diminuiu: durante a crise na Venezuela, apenas 15 países se alinharam à posição americana, ante 35 em crises anteriores. "A diplomacia americana enfrenta um déficit de credibilidade que levará anos para ser reparado", conclui o relatório.

Perspectivas futuras

O estudo sugere que a administração Biden precisará de ações concretas para reverter o quadro, como o retorno a acordos multilaterais e o fortalecimento de alianças. No entanto, Haass alerta que "a confiança perdida não se recupera com discursos, mas com consistência e respeito às regras internacionais". O CFR recomenda priorizar a reconstrução de laços com a Europa e o engajamento em temas como mudanças climáticas e comércio global.

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