Governo brasileiro rejeita acordo dos EUA sobre minerais críticos
Brasil rejeita acordo dos EUA sobre minerais críticos

Após os Estados Unidos confirmarem um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, integrantes do governo federal envolvidos nas negociações revelaram pontos de discordância entre os dois lados. Um desses pontos envolve os minerais críticos, matéria-prima da indústria tecnológica cobiçada pelos EUA.

Proposta americana limita investimentos

Segundo o governo, a gestão de Donald Trump propôs um acordo envolvendo minerais críticos que, na prática, limitava investimento estatal e estrangeiro nesse mercado. A proposta foi apresentada durante as negociações sobre a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada nesta quarta-feira (dia 15).

— Em uma das rodadas de negociações, o que nos foi solicitado é que nós fizéssemos medidas para limitar o investimento por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiros, a exemplo como fizeram com outros países, como Reino Unido e Austrália — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

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Entendendo a proposta

“Investimento por atores não orientados pelo mercado” significa, na prática, aportes estatais ou de empresas que podem operar com preços mais baixos. Os EUA argumentam que a China consegue derrubar o preço mundial de lítio, cobalto ou terras raras abaixo do custo de produção ocidental porque suas mineradoras e processadoras estatais não respondem a critérios de retorno de capital — o que inviabiliza investimento privado.

— Isso chegou a nos ser apresentado formalmente. E obviamente não aceitamos. Não aceitaremos porque terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro. E eles são justamente estratégicos porque desafiam o futuro e a modernidade. E não seremos coniventes com qualquer política de ocasião — disse o ministro.

O que são minerais críticos?

São considerados críticos aqueles minerais essenciais para setores-chave da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades. Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras. No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais.

Dentre esses minerais, estão as chamadas terras raras, um grupo de 17 elementos considerados essenciais para a indústria de tecnologia. Apesar do nome, elas podem ser encontradas em diversos locais do mundo, mas sua extração e separação exigem procedimentos complexos. A China é o maior produtor desses materiais no mundo. Por isso, o tema é de interesse da agenda dos Estados Unidos com o Brasil, já que o país tenta ampliar o acesso a esses produtos.

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