Brasil reage a tarifa dos EUA de 12,5% com lei da reciprocidade
Brasil reage a tarifa dos EUA de 12,5% com lei da reciprocidade

O governo brasileiro classificou como arbitrária a tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre o aço brasileiro e anunciou que acionará a lei da reciprocidade para retaliar. A medida, que passa a valer a partir de hoje, foi comunicada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, que afirmou que o Brasil não aceitará imposições unilaterais e que buscará todos os mecanismos legais para defender seus interesses comerciais.

Entenda a tarifa de 12,5% e o impacto imediato

A tarifa de 12,5% sobre o aço brasileiro foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos sob a justificativa de proteger a indústria nacional. A medida atinge diretamente as exportações brasileiras de aço, que somaram cerca de US$ 2,5 bilhões em 2025. A Secom afirmou que a decisão é arbitrária e viola as regras do comércio internacional, além de prejudicar a relação bilateral.

O Brasil é um dos maiores exportadores de aço para os EUA, e a tarifa pode reduzir significativamente a competitividade do produto brasileiro no mercado americano. A medida também pode gerar um efeito cascata em outros setores, como o de mineração e de bens de capital.

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Lei da reciprocidade: o que prevê e como será aplicada

A lei da reciprocidade, sancionada em 2023, permite que o Brasil adote medidas de retaliação comercial contra países que imponham barreiras injustificadas aos produtos brasileiros. A Secom informou que o governo já está preparando as medidas cabíveis, que podem incluir o aumento de tarifas sobre produtos americanos, como milho, trigo e carne suína.

“O Brasil não vai se curvar a pressões unilaterais. Vamos usar todos os instrumentos legais para defender nossos produtores e trabalhadores”, afirmou o ministro da Economia, em declaração oficial. A expectativa é que as medidas de retaliação sejam anunciadas nos próximos dias.

Reações do setor produtivo e de especialistas

O setor siderúrgico brasileiro reagiu com preocupação à tarifa. O Instituto Aço Brasil afirmou que a medida pode levar à perda de milhares de empregos e à redução de investimentos no setor. “É uma decisão que fere o livre comércio e que pode ter consequências graves para a economia brasileira”, disse o presidente do instituto.

Especialistas em comércio internacional apontam que a tarifa americana pode ser um reflexo de uma política protecionista mais ampla do governo dos EUA. “A medida é arbitrária e pode ser contestada na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirmou um analista de comércio exterior.

Impacto nas relações bilaterais e no cenário global

A imposição da tarifa ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro já havia criticado outras medidas protecionistas americanas, como as barreiras ao etanol brasileiro. A expectativa é que a retaliação brasileira possa gerar um novo round de negociações entre os dois países.

No cenário global, a medida dos EUA pode incentivar outros países a adotarem políticas protecionistas, o que pode prejudicar o comércio internacional e a recuperação econômica pós-pandemia. A OMC já expressou preocupação com o aumento de barreiras comerciais.

Próximos passos e o que esperar

O governo brasileiro deve anunciar as medidas de retaliação nas próximas semanas, após estudos técnicos sobre o impacto da tarifa americana. A Secom afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará imposições unilaterais. “Vamos defender nossos interesses com firmeza, mas sem fechar as portas para a negociação”, disse o porta-voz do governo.

Enquanto isso, o setor siderúrgico brasileiro busca alternativas para minimizar os impactos da tarifa, como a diversificação de mercados e o aumento da competitividade. A expectativa é que a medida americana seja temporária, mas o governo brasileiro já se prepara para um cenário de longo prazo.

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