A União Europeia (UE) aposta no Brasil como parceiro estratégico para diversificar suas fontes de minerais críticos, oferecendo uma proposta que considera mais "benéfica" que a de outros competidores globais. O comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, afirmou à Reuters que a abordagem europeia prioriza a sustentabilidade e o incentivo ao processamento local de terras raras, alinhando-se à diretriz do governo brasileiro de exportar minerais processados com maior valor agregado.
Visita a projeto de terras raras em Minas Gerais
No sábado, Síkela visitou o centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG). O local é um dos quatro projetos prioritários selecionados para acelerar a colaboração entre a UE e o Brasil. O projeto piloto, inaugurado em maio, tem capacidade para processar 100 kg de minério por hora e produzir anualmente até 2,92 kg de carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês).
Planos de expansão e investimento
A Viridis planeja investir US$ 360 milhões para construir uma planta comercial com capacidade para produzir 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028. O projeto Colossus, em Minas Gerais, abrange 228,62 km² de licenças. "É extremamente importante que o Brasil também avance além de negócios de baixa margem, ou seja, que o valor seja criado aqui no país", destacou Síkela, enfatizando que o Brasil é o parceiro mais estratégico da UE na América Latina.
Acordo com Solvay e apoio europeu
O comissário mencionou a carta de intenções não vinculante assinada entre a Viridis e a química belga Solvay, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para uma parceria mais ampla. O presidente-executivo da Viridis, Rafael Moreno, afirmou que as discussões com a UE sobre apoio ao projeto estão avançadas e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho. "Um preço mínimo é importante, então concluir todos esses detalhes será importante para nós, e isso não está longe de acontecer", disse Moreno.
Corrida global por minerais críticos
O avanço da Viridis ocorre em meio a uma corrida global por terras raras e minerais críticos, enquanto governos na Europa e nos Estados Unidos tentam reduzir a dependência da China, maior produtor desses materiais vitais para carros elétricos e sistemas de defesa. Síkela afirmou que a estratégia europeia busca reduzir "dependências" na cadeia de suprimentos globais, após choques como a pandemia e a guerra na Ucrânia.
Prioridades além das terras raras
Além das terras raras, Síkela indicou que a UE vê como prioritários projetos envolvendo níquel e lítio no Brasil, e que há planos para avançar em um memorando de entendimento entre o bloco e o governo brasileiro. Questionado se a UE está chegando atrasada na disputa por ativos no Brasil, ele respondeu: "Nossa proposta de valor é mais benéfica do que a dos outros. Primeiro, é mais sustentável... A segunda coisa é criação de empregos e educação".
Mentalidade ocidental e mercado diversificado
Moreno afirmou que a Viridis adota uma abordagem de mercado diversificado, sem buscar compradores chineses. "Estamos adotando uma abordagem em que queremos que todos tenham direitos... estamos satisfeitos em manter uma mentalidade europeia ou ocidental", disse. No final de maio, a empresa estava em negociações avançadas com potenciais compradores na Europa e nos EUA.



