Rivalidade EUA-China impacta comércio global, alerta FMI
Rivalidade EUA-China impacta comércio global, alerta FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a crescente rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China pode fragmentar o comércio global, resultando em uma redução de até 7% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial a longo prazo. O relatório, divulgado nesta terça-feira (21), destaca que as tensões comerciais e tecnológicas entre as duas maiores economias do mundo estão criando barreiras que podem desacelerar o crescimento econômico global.

Impactos da fragmentação comercial

Segundo o FMI, a fragmentação do comércio global já está em curso, com a formação de blocos econômicos distintos liderados por EUA e China. O relatório aponta que, se as barreiras comerciais continuarem a aumentar, o PIB global pode sofrer uma contração significativa, especialmente em economias emergentes e em desenvolvimento. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que “a cooperação internacional é essencial para evitar um cenário de fragmentação que prejudicaria a todos, especialmente os países mais vulneráveis”.

Setores mais afetados

Os setores de tecnologia e manufatura são os mais impactados pelas tensões geopolíticas. As restrições a exportações de semicondutores e equipamentos de alta tecnologia já estão afetando cadeias de suprimentos globais. O FMI estima que o comércio de bens de alta tecnologia pode cair até 15% em um cenário de fragmentação severa. Além disso, a incerteza política está levando empresas a adiar investimentos, o que pode reduzir a produtividade e o crescimento econômico a médio prazo.

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Riscos para economias emergentes

O relatório do FMI também destaca que as economias emergentes, incluindo o Brasil, são particularmente vulneráveis à fragmentação comercial. Esses países dependem de cadeias de suprimentos globais e do acesso a mercados tanto dos EUA quanto da China. “A fragmentação pode forçar essas economias a escolher entre os dois blocos, o que reduziria seu potencial de crescimento e aumentaria a volatilidade econômica”, disse Georgieva. O FMI recomenda que os países busquem diversificar suas parcerias comerciais e fortalecer a cooperação multilateral para mitigar os riscos.

Perspectivas futuras

Apesar dos riscos, o FMI acredita que ainda há tempo para evitar o pior cenário. A organização pede que EUA e China retomem o diálogo e busquem soluções negociadas para suas diferenças. “A história mostra que o comércio aberto e baseado em regras é um motor poderoso para o crescimento e a redução da pobreza. Precisamos proteger esse legado”, concluiu Georgieva.

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