Uma invasão de cobras nas Ilhas Baleares, na Espanha, está colocando em risco a lagartixa-das-Pitiusas (Podarcis pityusensis), espécie endêmica de Ibiza e Formentera. Mais de 4,4 mil répteis invasores já foram capturados, a maioria na ilha de Ibiza, onde 3.604 serpentes foram retiradas da natureza. Desse total, 3.528 são serpentes-ferradura (Hemorrhois hippocrepis), uma espécie não venenosa para humanos, mas predadora voraz de pequenos répteis.
Cobras nadam entre ilhas em busca de alimento
As serpentes-ferradura, originárias do norte da África e da Península Ibérica, têm se espalhado rapidamente pelo arquipélago. Cientistas observaram que esses animais estão nadando entre as ilhas, principalmente de Ibiza para Formentera, em busca de alimento. A capacidade de locomoção aquática surpreendeu pesquisadores, que temem a colonização de novas áreas.
De acordo com Víctor Colomar, do Governo das Ilhas Baleares, as capturas em Ibiza e Formentera somam mais de 4,4 mil exemplares desde o início do monitoramento. “A situação é crítica para a lagartixa-das-Pitiusas, que não tem defesas contra esse predador”, afirmou.
Impacto na biodiversidade local
A lagartixa-das-Pitiusas é uma espécie protegida e considerada símbolo da biodiversidade das ilhas. Com a chegada das cobras, sua população sofreu declínio acentuado. As serpentes-ferradura se alimentam de ovos e filhotes, reduzindo a taxa de reprodução. Estima-se que, em algumas áreas, a população de lagartixas tenha caído mais de 50% desde o início da invasão.
Autoridades locais intensificaram as ações de controle, com armadilhas e campanhas de captura. No entanto, a erradicação total é considerada difícil devido à extensão do território e à capacidade de dispersão das cobras.
Risco de extinção e medidas de proteção
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) já classifica a lagartixa-das-Pitiusas como espécie vulnerável, mas a pressão exercida pelas cobras pode elevá-la à categoria de “em perigo”. Cientistas pedem mais recursos para conter a propagação e proteger os habitats críticos.
“Precisamos de uma estratégia integrada que envolva monitoramento contínuo, barreiras físicas e educação ambiental para evitar que as cobras cheguem a novas ilhas”, explicou Colomar. Enquanto isso, as capturas continuam, mas a batalha para salvar a lagartixa-das-Pitiusas está longe do fim.



