PIB da China tem menor crescimento em décadas
PIB da China tem menor crescimento em décadas

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,5% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, o menor ritmo de expansão em décadas. O dado, divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava um avanço de 5,1%. A desaceleração é atribuída à crise prolongada no setor imobiliário e à fraca demanda global, que afetaram as exportações e o consumo interno.

Crise imobiliária e demanda global pesam sobre a economia

O setor imobiliário chinês, que representa cerca de um quarto do PIB, continua em recessão, com quedas nos preços dos imóveis e na venda de novas residências. A confiança do consumidor também foi abalada, levando a uma retração nos gastos. Além disso, a demanda global por produtos chineses diminuiu, especialmente da Europa e dos Estados Unidos, que enfrentam desaceleração econômica e inflação elevada.

Segundo o economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, Li Wei, "a China enfrenta desafios estruturais que exigem reformas profundas para retomar o crescimento sustentável". Ele destacou que a dependência do investimento imobiliário e da exportação precisa ser reduzida.

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Medidas do governo chinês

O governo chinês anunciou novas medidas de estímulo, incluindo cortes nas taxas de juros e aumento dos gastos em infraestrutura. No entanto, analistas acreditam que essas ações podem não ser suficientes para reverter a tendência de curto prazo. O PIB do primeiro semestre de 2026 cresceu 4,8%, abaixo da meta anual de 5,5% estabelecida pelo governo.

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o país está focado em "estabilizar o crescimento e promover a transformação econômica". Ele ressaltou a importância da inovação tecnológica e do mercado interno como motores do desenvolvimento futuro.

Impacto global

A desaceleração chinesa tem repercussões mundiais, afetando preços de commodities, cadeias de suprimentos e o crescimento de economias emergentes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento global para 2026, citando o fraco desempenho da China como um dos principais fatores.

A China é o maior importador de petróleo, minério de ferro e soja, e a queda na demanda derrubou os preços dessas commodities nos mercados internacionais. Países como Brasil, Austrália e Chile sentem o impacto diretamente.

Perspectivas

Economistas preveem que o PIB chinês deve crescer entre 4,5% e 5% em 2026, o menor ritmo anual desde 1990, excluindo o ano de 2020 afetado pela pandemia. A recuperação depende de uma solução para a crise imobiliária e de uma retomada da confiança dos consumidores e investidores.

"O cenário é incerto. A China precisa equilibrar o estímulo de curto prazo com reformas de longo prazo para evitar uma estagnação prolongada", concluiu Li Wei.

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