Na tarde de quarta-feira (29), uma onça-pintada foi flagrada descansando sobre uma pedra às margens do Rio Paraguai, nas proximidades da escadaria de acesso à Praça da Capivara, no Porto Geral de Corumbá. O registro foi feito pelo piloteiro Guilherme Pablo, de 28 anos, que realizava um passeio ecológico com turistas pelo Canal do Tamengo.
Na imagem, a onça aparece deitada entre as pedras e a vegetação, praticamente camuflada pela mata ciliar. O animal permanece imóvel enquanto observa a movimentação ao redor. Guilherme, pescador profissional e piloteiro há dez anos, contou que o avistamento ocorreu por volta das 16h. "Estava com turistas quando encontramos a onça deitada sobre a pedra. Nós sempre mantemos distância porque é um animal muito rápido e perigoso", afirmou.
Avistamento frequente preocupa pilotos
De acordo com Guilherme, esse não foi um caso isolado. Ele afirma que piloteiros que trabalham diariamente na região vêm observando a presença da onça com frequência. "A gente vê ela praticamente todos os dias. Ontem uma outra piloteira também avistou. Não é a primeira vez", disse. A onça teria um filhote, o que aumenta o risco de ataques caso alguém se aproxime. "Ela está com filhote. Na filmagem não deu para aparecer direito porque ele correu para o mato, mas a gente sabe que está ali. Por isso é preciso muito cuidado", explicou Guilherme.
Moradores temem acidentes
Após encerrar o passeio, Guilherme voltou ao local para alertar pessoas que estavam na praça e crianças que soltavam pipa nas proximidades. O pai dele, o pescador aposentado e piloteiro Paulo da Conceição Vasconcelos, conhecido como Paulo Jatobá, afirmou que conhece a região desde a infância e que nunca havia visto tantas onças tão próximas da área urbana. "A preocupação não é com quem faz passeio de barco, porque a gente sabe manter distância. O problema são as crianças, moradores, pessoas que pescam na beira do rio e quem frequenta a praça", disse Paulo. Moradores já registraram ataques a cães na região, e Paulo acredita que a presença das onças esteja relacionada à oferta de alimento, como capivaras e outros animais que vivem às margens do rio. Ele defende que os órgãos ambientais capturem o animal e o transfiram para uma área mais distante. "É um animal bonito e faz parte do Pantanal, mas a gente teme que aconteça um acidente. Queremos evitar uma tragédia", completou.
Órgãos ambientais e recomendações
O g1 procurou o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) para saber se acompanha os relatos e orienta moradores e turistas, mas não obteve resposta até a última atualização. Enquanto isso, a recomendação é que, ao avistar uma onça, as pessoas não tentem se aproximar, alimentar ou perseguir o animal, e comuniquem imediatamente os órgãos ambientais. O Pantanal, maior planície alagável do mundo, abriga a maior população de onças-pintadas do Brasil, e encontros entre humanos e felinos têm se tornado mais comuns com a expansão urbana e o turismo.



