OMS tem menos da metade dos recursos para combater ebola
OMS tem menos da metade dos recursos para combater ebola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira que dispõe de menos da metade dos recursos financeiros necessários para combater o atual surto de ebola na África. A entidade estima precisar de US$ 98 milhões para financiar as operações de resposta nos próximos seis meses, mas até agora arrecadou apenas US$ 45 milhões.

Surto na República Democrática do Congo

O alerta foi feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva de imprensa em Genebra. Segundo ele, o surto atual, que começou em abril na província de Equateur, na República Democrática do Congo (RDC), já registrou 54 casos confirmados e 33 mortes. “Estamos diante de uma situação crítica. Precisamos de apoio urgente da comunidade internacional para evitar que o vírus se espalhe ainda mais”, afirmou Tedros.

A OMS já mobilizou 300 profissionais de saúde para a região, mas a falta de recursos limita a capacidade de testagem, rastreamento de contatos e vacinação. A organização também enfrenta dificuldades logísticas devido à infraestrutura precária e à insegurança na área.

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Vacinação e desafios logísticos

A vacina contra o ebola, desenvolvida pela Merck, tem sido utilizada em campanhas de imunização em anel, mas a cobertura ainda é insuficiente. Até o momento, cerca de 12 mil pessoas foram vacinadas na RDC, mas a meta é imunizar 50 mil. “Cada novo caso não detectado pode gerar uma cadeia de transmissão que sobrecarrega o sistema de saúde”, alertou o diretor da OMS.

Além da RDC, a OMS monitora surtos menores em Uganda e Guiné. A organização teme que a temporada de chuvas, que começa em setembro, agrave a situação ao dificultar o acesso às comunidades isoladas.

Apelo por doações

A OMS fez um apelo por doações de governos, organizações internacionais e setor privado. Tedros destacou que o custo de não agir é muito maior: “Cada dólar investido agora economiza dezenas de dólares em futuras epidemias”. A entidade também busca parcerias para garantir o fornecimento de equipamentos de proteção individual e medicamentos.

O surto atual é o 14º na história da RDC e o segundo maior desde o devastador surto de 2014-2016 na África Ocidental, que matou mais de 11 mil pessoas. A OMS classifica o risco de propagação regional como alto, mas o risco global permanece baixo.

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