Uma avalanche atingiu na manhã deste sábado (1º de agosto) uma expedição de montanhistas no norte do Paquistão, matando o renomado alpinista nepalês Nirmal Purja e outras nove pessoas, totalizando dez vítimas fatais. A informação foi confirmada pelo departamento de turismo de Gilgit-Baltistão, região montanhosa onde ocorreu o desastre.
O acidente na cordilheira
O incidente aconteceu em uma área remota da cordilheira do Karakoram, uma das mais hostis do planeta, conhecida por picos que ultrapassam 8 mil metros de altitude. As primeiras informações indicam que o grupo foi surpreendido por uma massa de neve e gelo durante a madrugada, enquanto se preparava para o ataque final a um dos cumes.
Equipes de resgate de Gilgit-Baltistão foram acionadas imediatamente, mas as condições climáticas adversas e o terreno acidentado dificultaram a chegada ao local. Helicópteros militares foram empregados nas buscas, sobrevoando vales profundos e encostas instáveis, ainda sob risco de novas avalanches.
Quem era Nirmal Purja
Nirmal Purja, de 42 anos, era uma lenda viva do montanhismo mundial. Ex-membro das forças especiais britânicas, ele ganhou fama internacional em 2019 ao completar os 14 picos acima de 8 mil metros em apenas seis meses e seis dias, quebrando o recorde anterior de quase oito anos. A façanha, batizada de "Projeto Possível", foi registrada em documentário da Netflix e inspirou uma geração de alpinistas.
Em 2023, Purja também liderou expedições de resgate no Himalaia e se tornou um dos nomes mais respeitados na comunidade alpina, tanto pela técnica quanto pela resistência física. Sua morte representa uma perda irreparável para o esporte, segundo relatos de colegas que acompanharam sua trajetória.
As outras vítimas
As autoridades ainda não divulgaram oficialmente os nomes das outras nove pessoas que morreram na avalanche. Sabe-se que o grupo era multinacional, com integrantes de pelo menos quatro países, incluindo Nepal, Paquistão, Espanha e Estados Unidos, conforme informações preliminares de agências de notícias locais.
Entre as vítimas, há relatos de guias sherpas nepalenses, que atuavam no suporte técnico da expedição. O governo do Nepal expressou solidariedade às famílias e prometeu apoio para a repatriação dos corpos assim que as condições permitirem.
Busca e resgate em meio ao caos
As operações de busca foram suspensas temporariamente no fim da tarde devido ao mau tempo, com previsão de retomada neste domingo. O departamento de turismo de Gilgit-Baltistão afirmou, em nota, que "esforços estão sendo feitos para localizar possíveis sobreviventes", embora a esperança diminua a cada hora.
Médicos e equipes de emergência foram deslocados para o acampamento-base, mas o acesso mais rápido continua sendo por via aérea. O Paquistão tem histórico de avalanches letais nessas montanhas; em 2015, uma avalanche no acampamento-base do K2 matou pelo menos dez alpinistas, tornando o desastre deste sábado o mais mortal em anos.
Impacto na comunidade montanhista
Redes sociais foram inundadas com mensagens de pesar de alpinistas e celebridades. O montanhista italiano Reinhold Messner, pioneiro dos 14 picos, disse que "o mundo perdeste um gigante, e a montanha o reivindicou". A Federação Internacional de Escalada e Montanhismo (UIAA) também divulgou nota de condolências.
Especialistas apontam que a morte de Purja poderá reacender o debate sobre a segurança em expedições de alta altitude, especialmente no Karakoram, onde as mudanças climáticas têm aumentado a instabilidade das geleiras e o risco de avalanches.
Legado impossível de esquecer
Nascido no vilarejo de Chhuyang, no Nepal, Purja começou a escalar ainda jovem, mas foi nos últimos cinco anos que se tornou um fenômeno global. Seu recorde de 2019 incluiu dois picos no Paquistão — o Nanga Parbat e o K2 —, além do Monte Everest, sem assistência de oxigênio suplementar em parte da jornada.
Ele também era ativo em causas sociais, criando a fundação The Spirit of Adventure para promover o acesso de jovens carentes ao esporte. Sua morte deixa um vazio que vai muito além das montanhas, alcançando todos os que o admiram como símbolo de superação.
A avalanche deste sábado já é considerada uma das maiores tragédias da história recente do montanhismo no Paquistão. As equipes de resgate seguem no terreno, em uma corrida contra o tempo e contra as tempestades que se formam sobre os picos. O mundo, porém, já sabe o que perdeu: um dos maiores aventureiros de todos os tempos.



