Navegador cego japonês planeja cruzar o Pacífico sozinho em 2027
Navegador cego planeja cruzar o Pacífico sozinho

O japonês Hiro Iwamoto, de 59 anos, que perdeu a visão completamente aos 16 anos, prepara-se para cruzar sozinho o Oceano Pacífico em uma travessia de aproximadamente 14 mil quilômetros entre San Diego, na Califórnia, e o Japão. A partida está prevista para fevereiro de 2027. Para se orientar durante a navegação, ele utiliza uma bússola com comando de voz e um aplicativo adaptado, desenvolvido especialmente para ele, que informa dados como velocidade do vento e recebeu o nome de sua filha, Lina. Durante o dia, sente a posição do sol no rosto para identificar a direção; à noite, faz o mesmo antes do pôr do sol.

Perda da visão e o sonho que mudou tudo

Hiro perdeu a visão aos 16 anos por razões que os médicos nunca conseguiram explicar. No início, aceitar a nova realidade foi difícil. Mas um sonho transformou sua perspectiva: nele, um tio dizia que havia um propósito para sua cegueira — inspirar outras pessoas por meio dos desafios que enfrentaria. Ao acordar, decidiu mudar de vida. O primeiro passo foi aprender a sair de casa usando uma bengala. Depois, vieram desafios maiores, como escalar a montanha mais alta do Japão. No topo, enquanto o guia descrevia o nascer do sol, desconhecidos se aproximaram para dizer que ele os inspirava. Foi ali que Hiro acreditou que a mensagem do sonho fazia sentido.

Primeira travessia frustrada por baleia-azul

Em 2002, incentivado pela família, Hiro começou a aprender a velejar e descobriu uma sensação de liberdade que não encontrava em terra firme. "Comecei a pensar: por que não tentar cruzar o maior oceano do mundo?", relembra. O sonho ganhou forma em 2013, ao lado do apresentador japonês Jiro Shinbo. No sétimo dia de viagem, o veleiro colidiu com uma baleia-azul, o maior animal do planeta. A embarcação sofreu uma grande rachadura e começou a afundar. Os dois permaneceram à deriva por cerca de 11 horas até serem resgatados pela Marinha japonesa. Hiro escapou sem ferimentos graves, mas as marcas psicológicas foram profundas. "Fisicamente fiquei bem, mas mentalmente estava destruído. Muitas pessoas diziam nas redes sociais que meu sonho era estúpido e que o lugar mais seguro para mim era ficar em casa", lembra.

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Travessia bem-sucedida em 2019

Mesmo assim, ele não desistiu. Em 2019, voltou ao mar, navegando o mesmo percurso acompanhado do amigo Doug Smith, e concluiu a travessia em 55 dias. Agora, Hiro se prepara para um feito ainda mais ambicioso: repetir a travessia completamente sozinho. O desafio exigirá preparo físico, resistência emocional e capacidade para enfrentar tempestades, ventos fortes e situações inesperadas em alto-mar. No barco, diz ele, sente-se mais seguro do que em terra. "O sol está lá. Eu não vejo, mas sinto o calor. Para velejar, você não precisa da visão. O barco é mais seguro para mim do que a terra. Em terra, preciso de um guia. No barco, não", afirma.

Filosofia de vida e motivação

Questionado sobre o que o motiva a continuar enfrentando desafios, Hiro resume sua filosofia: "As pessoas dizem que não posso fazer isso porque sou cego ou velho demais. É fácil encontrar uma razão para não fazer. Por isso é tão importante continuar se desafiando." E conclui: "Coragem não é a ausência do medo. É a escolha de seguir em frente, apesar dele."

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