O dólar à vista sofreu uma forte queda nesta quarta-feira, impulsionado pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas do mercado. O dado mais fraco que o esperado aliviou as preocupações com a inflação e reduziu as apostas em um aperto monetário mais agressivo pelo Federal Reserve (Fed).
CPI abaixo do esperado impulsiona queda do dólar
O CPI de janeiro registrou alta de 0,3% na base mensal, contra expectativa de 0,5%, e de 3,1% na comparação anual, ante previsão de 3,4%. O núcleo do índice, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% no mês, também abaixo do esperado. A surpresa positiva para os mercados levou a uma desvalorização imediata da moeda americana frente ao real e a outras divisas emergentes.
Segundo analistas, o resultado do CPI reforça a percepção de que o Fed pode iniciar cortes de juros ainda no primeiro semestre, o que enfraquece o dólar globalmente. “O dado abre espaço para um discurso mais dovish dos dirigentes do Fed”, afirmou um operador de câmbio ouvido pela reportagem.
Mercado de olho em Kevin Warsh e outros dirigentes do Fed
Com o CPI já precificado, os investidores voltam as atenções para as falas de membros do Federal Reserve. O destaque do dia é a sabatina de Kevin Warsh, indicado para a presidência do Fed, no Congresso americano. Warsh, que já serviu como diretor do banco central, deve ser questionado sobre sua visão para a política monetária e o combate à inflação.
Além de Warsh, outros dirigentes do Fed também discursam ao longo da sessão. O mercado buscará pistas sobre o ritmo de cortes de juros e a reação do comitê aos dados de inflação. Qualquer sinal de cautela pode reverter parte da queda do dólar.
No Brasil, a cotação do dólar à vista fechou em baixa de mais de 1%, cotado a R$ 4,95, menor nível em semanas. O movimento acompanhou o enfraquecimento global da moeda e a melhora do apetite por risco nos mercados emergentes.



