O número de mortos após os dois terremotos que devastaram a Venezuela subiu para 164, conforme anunciou nesta quinta-feira (25) a presidente interina Delcy Rodríguez. O balanço de feridos foi atualizado para 971. A busca por vítimas continua, com mais de 500 equipes de emergência trabalhando nos escombros.
Imagens da imprensa e redes sociais mostram a comemoração dos venezuelanos a cada sobrevivente encontrado com vida. O terremoto é considerado o pior do país em 100 anos. Até a manhã desta quinta, 32 mortes haviam sido confirmadas, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil.
Reação internacional e ajuda humanitária
Dezenas de chefes de Estado e governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária, produtos médicos e equipes de resgate. Além do Brasil, a lista inclui Estados Unidos, Turquia, México e Portugal. A presidente interina Delcy Rodríguez agradeceu à comunidade internacional e afirmou que os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas.
O governo venezuelano cancelou aulas e suspendeu serviços não essenciais. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mobilizado todas as agências do governo americano para ajudar. A China, principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura de Nicolás Maduro, afirmou que fará o possível para auxiliar.
Características dos terremotos
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), seguidos por pelo menos 20 réplicas. Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil. Prédios e casas desabaram em Caracas e outras cidades. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo a El Guayabo, a cerca de 160 km de Caracas.
Segundo o USGS, o primeiro tremor ocorreu às 19h (horário de Brasília) e, menos de um minuto depois, o segundo de magnitude 7,5. O terremoto principal ocorreu a cerca de 13 km de profundidade, distância considerada próxima da superfície, o que pode intensificar os efeitos em edifícios.
Danos e vítimas
Durante a madrugada, Rodríguez comunicou inicialmente 32 mortes e 70 feridos. O prefeito de Chacao, na região metropolitana de Caracas, informou que ao menos 16 pessoas ficaram feridas após o desabamento de duas estruturas. Relatos indicam que prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades. Imagens mostram equipes de resgate nos escombros de um edifício na capital.
No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou, mas não há informações de vítimas. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi fechado após sofrer danos. Hospitais da capital foram mobilizados para atender feridos.
Tremores sentidos no Brasil e risco de tsunami
A Rede Sismográfica Brasileira registrou os terremotos e moradores de Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá relataram tremores. O sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, afirmou que é comum terremotos dessa magnitude serem percebidos a grandes distâncias, mas não há risco de danos no Brasil.
O Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA emitiu inicialmente um aviso para Porto Rico e Ilhas Virgens, mas o alerta foi cancelado cerca de uma hora depois.
Causas sísmicas
A Venezuela está localizada em área de intensa atividade sísmica, no encontro das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Segundo o USGS, cerca de 30 mil pessoas morreram em um terremoto que atingiu Caracas e Mérida em 1812.



