O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, ex-emir do Catar que governou por 18 anos e transformou o pequeno emirado do Golfo em uma potência econômica e diplomática global, morreu neste sábado (12) aos 74 anos. A causa da morte não foi divulgada oficialmente, mas fontes próximas à família real catariana confirmaram que ele estava em tratamento de saúde há meses.
Legado de modernização e poder
Hamad bin Khalifa assumiu o poder em 27 de junho de 1995, após depor o pai, o xeque Khalifa bin Hamad Al Thani, em um golpe palaciano sem derramamento de sangue. Durante seu reinado, o Catar passou de um Estado relativamente obscuro, dependente da pesca de pérolas e do petróleo, para um dos países mais ricos do mundo, com o maior PIB per capita global, impulsionado pela exploração de gás natural liquefeito (GNL).
Sob sua liderança, o Catar tornou-se o maior exportador de GNL do planeta, com reservas estimadas em 24,7 trilhões de metros cúbicos. O país também investiu pesadamente em infraestrutura, educação e saúde, além de criar a rede de televisão Al Jazeera, que revolucionou o jornalismo no mundo árabe.
Diplomacia e polêmicas
Hamad bin Khalifa também foi conhecido por sua política externa independente e, por vezes, controversa. Ele manteve relações próximas com os Estados Unidos, abrigando a maior base militar americana no Oriente Médio (Al Udeid), mas também apoiou grupos islamistas como a Irmandade Muçulmana e o Hamas, gerando atritos com vizinhos como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Em 2011, apoiou a intervenção militar da OTAN na Líbia e forneceu armas a rebeldes sírios. Sua gestão também mediou conflitos regionais, como no Líbano e no Sudão. Em 2013, abdicou do trono em favor de seu filho, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani, atual emir, em uma rara transição pacífica de poder na região.
Reações e homenagens
O atual emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, declarou luto oficial de três dias e afirmou em pronunciamento: "Meu pai foi um líder visionário que colocou o Catar no mapa mundial. Sua perda é irreparável, mas seu legado viverá em cada catariano". O governo catariano anunciou que o enterro será realizado em cerimônia privada, conforme a tradição islâmica.
Líderes mundiais prestaram homenagens. O presidente dos EUA, Joe Biden, disse: "O xeque Hamad foi um parceiro fundamental na promoção da estabilidade no Oriente Médio". Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou seu papel "na mediação de conflitos e no desenvolvimento humano do Catar".
Impacto no cenário atual
A morte de Hamad bin Khalifa ocorre em um momento em que o Catar enfrenta novos desafios, como a organização da Copa do Mundo de 2022, que ele próprio ajudou a conquistar, e as tensões com o bloco liderado pela Arábia Saudita, que impôs um bloqueio diplomático e econômico ao país entre 2017 e 2021. Analistas apontam que seu falecimento pode reacender debates sobre a sucessão e o papel do Catar na região.
O xeque Hamad deixa a esposa, a xeica Moza bint Nasser, e sete filhos. Sua fortuna pessoal era estimada em US$ 2,4 bilhões, segundo a Forbes.



