Mercado pet na China triplica e atinge R$ 240 bilhões, mas contraste com abate persiste
Mercado pet chinês triplica para R$ 240 bi; abate ainda existe

O mercado pet na China reflete um contraste marcante: de um lado, restaurantes com cardápios sofisticados para cães, hotéis, spas e competições esportivas; do outro, mercados onde cachorros ainda são vendidos para o abate. O setor triplicou nos últimos dez anos e movimenta cerca de R$ 240 bilhões por ano, impulsionado pela crescente humanização dos animais de estimação nas grandes cidades.

Serviços de luxo para pets nas metrópoles

Em Xangai, há parques inteiros dedicados aos cães, com corridas de barco, provas de obstáculos, restaurantes exclusivos e até hotéis para os animais. Muitos tutores tratam seus pets como filhos e investem em alimentação, saúde e lazer. A demanda por serviços especializados impulsionou clínicas veterinárias, tratamentos como acupuntura e escolas para cães.

Comércio de carne de cachorro ainda resiste no interior

Esse cenário contrasta com a realidade de províncias do interior. Em Yulin, nove cachorros foram resgatados momentos antes do abate. As coleiras encontradas indicavam que eles haviam sido roubados de seus donos. Apesar disso, não existe uma lei federal na China que proíba o comércio de carne de cachorro. O proprietário de um estabelecimento afirmou à reportagem já ter comercializado mais de 15 mil cães.

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Tradição versus mudança cultural

Em algumas regiões, especialmente nas províncias mais frias do norte, o consumo da carne faz parte de uma tradição antiga, baseada na crença de que ela ajuda a aquecer o corpo durante o inverno. Nos últimos anos, porém, parte dessa realidade começou a mudar. Cidades como Shenzhen proibiram a venda de carne de cachorro, refletindo uma mudança de comportamento da população urbana, que passou a enxergar os animais de estimação como integrantes da família. Ainda assim, a legislação continua diferente entre as regiões e o debate sobre o tema permanece aberto no país.

Mais pets que bebês nas áreas urbanas

A mudança também acompanha uma transformação demográfica. Hoje, há mais pets do que bebês nas áreas urbanas da China. Com cada vez mais pessoas optando por não ter filhos, cães e gatos assumem um papel central na rotina de muitos lares, tornando ainda mais evidente o contraste entre a crescente humanização dos animais e práticas tradicionais que ainda resistem em parte do país.

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