Lamine Yamal: o símbolo da diversidade e fé na Copa do Mundo 2026
Lamine Yamal: símbolo da diversidade e fé na Copa

Jovem talento e símbolo de diversidade

Lamine Yamal é a principal revelação da seleção espanhola nos últimos anos e sonha com o título da Copa do Mundo. Além do desempenho em campo, o jovem se tornou símbolo da diversidade no futebol. Ao comemorar seus feitos, faz o tradicional gesto com as mãos, representando o número 304. Filho de pai marroquino e mãe guinéu-equatoriana, nasceu em Esplugues de Llobregat, na província de Barcelona, mas foi criado no pequeno bairro de Rocafonda, em Mataró – local que carrega consigo por meio da celebração que remete às suas origens.

Rocafonda: a comunidade multicultural que inspira Yamal

Localizada a 30 quilômetros de Barcelona, Rocafonda reúne uma humilde comunidade multicultural e operária com forte histórico de imigração. O bairro ficou conhecido durante a Eurocopa de 2024, quando Yamal, com apenas 16 anos, tornou-se o mais jovem a participar da fase final da competição e marcou o gol que abriu caminho para a classificação nas semifinais contra a França. A representação, utilizada desde as categorias de base do jogador, remete aos três últimos numerais do código postal de Rocafonda. Os algarismos também aparecem nas chuteiras do jovem.

Ameaças da extrema-direita e defesa do bairro

O bairro sofre ameaças de políticos da extrema-direita espanhola, que denominam o local como “lugar de esterco multicultural”. O pai de Yamal, Mounir Nasroui, já teve complicações por defender Rocafonda. Em maio de 2023, ele atacou uma tenda do partido VOX na região, chamando-os de “racistas”. A polícia foi chamada, Nasroui foi julgado e precisou pagar uma multa.

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Fé e preconceito: o gesto religioso de Yamal

Além da homenagem ao lugar onde cresceu, Lamine também expressa sua fé nas comemorações. Em seu primeiro gol no Mundial, quando igualou Pelé ao se tornar o segundo jogador com 18 anos ou menos a balançar as redes em jogo de Copa, realizou um ato repleto de significados religiosos: apontou para o céu e curvou-se ao chão, tocando a testa, o nariz, as palmas das mãos, joelhos e pontas dos pés. Tipicamente realizado pelos muçulmanos, o gesto, conhecido como Sujud ou Sajdah, é executado durante as orações diárias e reconhece a grandeza de Alá, mostrando gratidão.

Em março, a seleção espanhola realizou um amistoso preparatório contra o Egito. Nessa ocasião, torcedores espanhóis entoaram um canto preconceituoso: “quem não pular é muçulmano”. No dia seguinte, Yamal publicou em suas redes sociais: “Sei que era contra o time rival e não era pessoal contra mim, mas, como pessoa muçulmana, isso não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável”. O jogador ainda repudiou o uso da religião como provocação: “Entendo que nem toda a torcida é assim, mas aos que cantam essas coisas: usar uma religião como provocação em campo faz de vocês pessoas ignorantes e racistas. O futebol é para aproveitar e animar, não para faltar com o respeito às pessoas pelo que são ou no que creem”.

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