Warsh sinaliza continuidade do engajamento global do Fed
Autoridades de bancos centrais de todo o mundo acreditam ter encontrado um novo aliado no chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, o que representa um raro ponto de convergência em uma relação que, de resto, é difícil com os Estados Unidos. Durante os três dias do encontro anual do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal, o novo chair do Fed realizou uma série de reuniões privadas com seus pares da Europa e de outras regiões, incluindo um longo almoço com a presidente do BCE, Christine Lagarde.
As conversas permaneceram em grande parte em nível geral, mal abordando questões como tendências de inflação, riscos do sistema bancário paralelo ou coordenação de políticas internacionais, disseram à Reuters fontes familiarizadas com as discussões. Mas as autoridades interpretaram o envolvimento de Warsh como um sinal de que o Fed continuará engajado no cenário global, aliviando temores de um afastamento dos fóruns internacionais que sustentam a cooperação entre bancos centrais.
Preocupações com pressão da Casa Branca são amenizadas
Essa garantia foi significativa. Alguns banqueiros centrais haviam manifestado, em particular, a preocupação de que um Fed liderado por um nomeado por Trump pudesse se mostrar mais suscetível à pressão da Casa Branca sobre a taxa de juros ou menos comprometido com a coordenação internacional que há muito tempo é um pilar da política monetária global.
O Federal Reserve continua sendo o principal provedor de liquidez em dólares em momentos de tensão financeira e, para alguns países, o guardião de uma parcela substancial de suas reservas de ouro. É também a voz mais influente nos debates globais sobre política monetária e regulamentação financeira. Nesse contexto, as autoridades chegaram a Sintra ansiosos para avaliar se as estreitas relações de trabalho que muitos mantinham com o ex-chair do Fed Jerome Powell sobreviveriam à transição.
Antigos contatos reconhecem Warsh, mas cautela persiste
Vários banqueiros centrais que conhecem Warsh desde sua passagem como diretor do Fed entre 2006 e 2011, ou por meio de sua participação posterior no órgão consultivo Grupo dos Trinta, afirmaram reconhecer o mesmo com quem lidaram durante anos. Outros alertaram que ainda é muito cedo para avaliar seu desempenho, já que ele terá de lidar com as exigências conflitantes de preservar sua credibilidade e administrar a pressão da Casa Branca.



