O Irã declarou nesta terça-feira (7) que não dará início a negociações de paz com os Estados Unidos enquanto o presidente Donald Trump não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, em meio ao funeral do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo conjunto dos EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026.
Chanceler iraniano critica Trump e exige respeito ao acordo
Em uma postagem nas redes sociais acompanhada de uma foto da multidão no funeral, Araqchi afirmou que as declarações de Trump violam os termos do memorando de entendimento assinado no mês passado para suspender a guerra. "Milhões de iranianos orgulhosos se uniram para homenagear o Grande Aiatolá Khamenei e seu legado. Nem eles, nem nossas bravas Forças Armadas, se deixam abalar por quaisquer ameaças. As negociações para o acordo final não começarão se as ameaças continuarem. Honre sua assinatura", escreveu o chanceler.
Multidão massiva toma as ruas de Teerã no funeral de Khamenei
Milhares de pessoas vestidas de preto lotaram as ruas da capital iraniana na segunda-feira (6) para uma procissão em homenagem ao aiatolá Khamenei, morto aos 86 anos. O caixão do líder, coberto com a bandeira iraniana, e os de membros de sua família — incluindo sua filha, genro, nora e um neto, também mortos no ataque — foram transportados sobre um caminhão decorado para lembrar a grade ornamental do santuário de um imã. Imagens aéreas da televisão estatal mostraram uma multidão que se estendia da Praça Azadi por quilômetros ao longo da avenida de mesmo nome. A participação popular foi considerada maior que a do funeral do general Qassem Soleimani em 2020, que atraiu mais de 1 milhão de pessoas.
Participantes pedem vingança contra Trump e Netanyahu
Cartazes, placas e faixas pedindo a morte de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, eram comuns ao longo do trajeto. Uma representação de Trump sendo enforcado foi vista entre os manifestantes. "Hoje, que estamos aqui para o funeral do nosso líder, é um dia muito difícil", disse a participante Fátima Hassan. "Não estamos aqui para nos despedirmos dele, estamos aqui para nos vingarmos. E nos vingaremos." Outra enlutada, Sahar Zaraatgar, declarou: "Estamos aqui para mostrar que seu caminho continuará, e cada uma dessas pessoas seguirá seu caminho com os punhos cerrados e em breve certamente vingaremos sua morte contra os EUA e Israel."
Logística do funeral e riscos de segurança
O general da Guarda Revolucionária Hasan Hasanzadeh, que supervisiona a procissão, informou que os caixões percorrerão as ruas de Teerã em uma jornada de 12 horas até o Aeroporto Internacional de Mehrabad. Autoridades interditaram ruas, fecharam o espaço aéreo e interromperam a vida cotidiana em sinal de luto. O cortejo começou no sábado (4) e terminará na quinta-feira (9), quando Khamenei será sepultado no santuário do Imã Reza em Mashhad, sua cidade natal. Funcionários usaram alto-falantes para pedir que a multidão caminhasse devagar, não empurrasse e permanecesse nas laterais da rua, devido aos riscos de aglomeração.
Contexto de tensão e ameaças passadas
Autoridades federais dos EUA monitoram ameaças iranianas contra Trump desde 2020, quando ele ordenou o assassinato do general Qassem Soleimani. Embora o Irã negue planos de matar Trump, imagens de propaganda linha-dura sugerem que o presidente americano está na mira de Teerã. A morte de Khamenei em um ataque conjunto dos EUA e Israel elevou as tensões, e o funeral se transformou em uma demonstração de força e determinação do regime iraniano.



