O Irã ameaçou, nesta quarta-feira (15), fechar o Estreito de Bab-el-Mandeb, uma nova rota comercial marítima estratégica, no quinto dia consecutivo de ataques entre Irã e Estados Unidos. A guerra entrou em uma nova fase, com o controle das principais rotas marítimas no Golfo Pérsico como alvo central.
Ameaça iraniana e importância do estreito
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que fechará "todos os corredores de exportações que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados". O Estreito de Bab-el-Mandeb, localizado na costa do Iêmen, é um dos pontos de passagem mais críticos do comércio global: cerca de 12% do comércio marítimo mundial transita por ele, conectando o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e, através do Canal de Suez, ao Mar Mediterrâneo.
O Iêmen vive uma guerra civil, e uma das facções, apoiada pelo Irã, já atacou navios comerciais durante o conflito entre Israel e o Hamas. A ameaça iraniana levanta preocupações sobre a segurança de uma das artérias comerciais mais movimentadas do planeta.
Ataques e contra-ataques
Desde o início dos ataques de Israel e Estados Unidos ao regime iraniano, em fevereiro de 2026, as forças americanas miraram em bases militares e instalações navais iranianas, mas não destruíram a capacidade do Irã de controlar o Estreito de Ormuz. Agora, esse é o objetivo do presidente americano, Donald Trump. Ele prometeu manter o estreito aberto e reimpôs o bloqueio militar a navios do Irã ou que tenham como destino portos iranianos – uma forma de pressão econômica.
Militares americanos informaram que realizaram dois ataques nesta quarta-feira (15) – um de madrugada e outro no meio da tarde – que destruíram sistemas de defesa e bases de mísseis de cruzeiro usadas pelos iranianos para controlar o Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã disse que fez novos ataques a instalações militares americanas na Jordânia, Kuwait e Bahrein.
Posição de Trump e recusa iraniana
Trump ameaçou intensificar os ataques, inclusive contra a infraestrutura iraniana, até que Teerã volte para a mesa de negociação. No entanto, nesta quarta-feira (15), o regime iraniano afirmou não ter planos de retomar o diálogo com os Estados Unidos e acusou os americanos de violarem o acordo firmado em junho.
A escalada militar no Golfo Pérsico coloca em risco o fluxo de petróleo e mercadorias, com impactos potenciais na economia global. O Estreito de Bab-el-Mandeb, junto com o Estreito de Ormuz, são pontos nevrálgicos para o comércio internacional, e qualquer interrupção pode elevar os preços dos combustíveis e causar instabilidade nos mercados.



