Freiras ativistas usam ações para pressionar empresas nos EUA
Freiras ativistas usam ações para pressionar empresas

A irmã Susan Francois, da Congregação das Irmãs de São José da Paz, não usa hábito tradicional e é ativa no TikTok, mas seu principal ativismo é como acionista. Ela e outras 88 religiosas nos EUA e Reino Unido usam sua participação em empresas para pressionar por mudanças em temas como mudanças climáticas, direitos indígenas e justiça racial.

Ativismo acionário contra a Palantir

Em maio, as freiras apresentaram uma proposta na assembleia da Palantir, empresa de análise de dados que trabalha com o ICE, pedindo uma Avaliação de Impacto sobre Direitos Humanos. A proposta recebeu 13% dos votos, mas, excluindo os fundadores que controlam 49,9% das ações, 56% dos acionistas apoiaram a medida. "O fato de tantos acionistas terem concordado conosco diz muito", afirma Francois. A Palantir não comentou, mas disse em comunicado que a iniciativa se baseava em equívocos.

Pressão sobre o Citigroup e a Amazônia

As freiras também confrontaram o Citigroup por financiar projetos de combustíveis fósseis na Amazônia, pedindo um relatório sobre impactos indígenas. Em abril de 2024, o banco atendeu ao pedido. "Para as irmãs, o sucesso está em colocar essas questões em pauta", diz Francois.

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Inspiração papal e histórico

A votação na Palantir ocorreu semanas após o papa Leão 14 publicar a encíclica Magnifica Humanitas, alertando sobre os riscos da IA. Francois afirma que a encíclica reforça seu trabalho. A congregação, fundada em 1884, começou o ativismo acionário em 1976, com uma proposta contra o sexismo na publicidade da Colgate-Palmolive, que foi rejeitada, mas ajudou a mudar o debate.

Lucro e princípios

As freiras lucram com essas empresas, mas os rendimentos vão para cuidados de saúde das irmãs idosas. Elas evitam investir em armas e combustíveis fósseis. "Se nos afastarmos dos centros de poder, deixaremos de ter voz", defende Francois, que rebate críticas: "Não estamos defendendo partidos políticos, mas o valor da criação de Deus e os direitos humanos."

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