Filhos de mexicano morto pelo ICE relatam trauma e culpa
Filhos de mexicano morto pelo ICE relatam trauma

Ronaldo Salgado, filho de Lorenzo Salgado Araujo, o motorista mexicano morto por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) na semana passada, ainda tenta digerir a tragédia. Em entrevista à TV americana CBS, ele e seu irmão Lorenzo afirmaram que o choque ainda não passou. Ronaldo, o filho mais velho, carrega um sentimento de culpa por não ter chegado ao local antes do confronto. Já Lorenzo disse que não sabe se conseguirá aceitar a morte do pai.

O relato dos irmãos

“Eu não sabia o que fazer. Ninguém nunca está preparado para algo assim. Senti raiva, é claro: meu pai foi tirado de mim”, afirmou Ronaldo. “Eu me sinto muito culpado por não estar lá. Eu poderia salvá-lo, ou, pelo menos, vê-lo por uma última vez”, disse, em lágrimas.

O mexicano vivia nos Estados Unidos havia 35 anos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Lorenzo estava em situação irregular no país. O órgão admitiu que a operação tinha como alvo outra pessoa e que os agentes encontraram o mexicano durante a ação.

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A versão do ICE e da família

O ICE alega que Lorenzo tentou fugir durante uma operação de fiscalização em Houston, no Texas, em 7 de julho. De acordo com a polícia migratória, o agente disparou após Salgado usar a van que dirigia para tentar atropelar os policiais. A família contesta essa versão e diz que ele nunca ofereceria risco aos agentes nem a ninguém.

Contexto das deportações em massa

Desde o início de seu novo governo, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump colocou em prática ações de caça e prisão de imigrantes que vivem nos EUA. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu expulsar do país todos os estrangeiros em situação irregular. Ao longo dos últimos cinco dias de junho, os agentes do ICE detiveram 10 mil pessoas, de acordo com um levantamento da Associated Press e do jornal The New York Times com base em dados do DHS. Proporcionalmente, o número é o maior desde que as batidas contra imigrantes começaram — neste ano, a média de detenções era de 30 mil por mês.

Outra morte e suspensão de abordagens

Na última segunda-feira (13), um cidadão colombiano também foi baleado e morto por um agente de imigração em Biddeford, no Maine. Ele estava com a situação migratória em dia. As duas mortes levaram o governo dos EUA a orientar na terça-feira (14) que os agentes do ICE parassem de fazer abordagens a carros, a não ser que houvesse um mandado de prisão contra alguém em um veículo, e que a abordagem fosse feita com apoio de outras forças de segurança.

Trump contradiz orientação

Na quarta-feira, no entanto, Trump contradisse seu próprio governo e afirmou que o ICE continuará com as operações nas estradas para combater a imigração irregular. "NÃO PODEMOS abrir mão de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do I.C.E. contra o crime: AS BLITZES DE TRÂNSITO!", declarou Trump em sua plataforma Truth Social.

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