Após novo mandado de prisão, Evo Morales acusa Bolívia de seguir ordens dos EUA
Evo Morales: Bolívia segue instruções dos EUA após novo mandado

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou nesta quinta-feira (30) que o novo mandado de prisão expedido contra ele pela Justiça boliviana é uma prova de que o governo de Luis Arce está seguindo instruções dos Estados Unidos. Em uma entrevista à rádio local, Morales afirmou que a perseguição judicial é política e orquestrada por interesses externos.

Novo mandado e acusações

A ordem de prisão foi emitida pelo Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia na última terça-feira (28), sob a acusação de suposto financiamento ilegal de campanha e instigação à sedição. Este é o terceiro mandado de prisão contra Morales desde que ele deixou o cargo em 2019, após uma crise política. Segundo fontes judiciais, a nova ordem baseia-se em depoimentos colhidos durante investigações sobre protestos violentos ocorridos em 2024.

Reação de Morales

“Eles estão fazendo o que os Estados Unidos mandam. O governo boliviano perdeu sua soberania e se tornou um fantoche de Washington”, disse Morales, que atualmente vive no exílio na Argentina. Ele ainda criticou a gestão de seu ex-aliado, Luis Arce, a quem chamou de “traidor”. Morales afirmou que não pretende se entregar e que continuará lutando contra o que chama de “golpe judicial”.

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O ex-presidente também mencionou que, desde 2020, já foram emitidos quatro mandados de prisão contra ele, dos quais três foram posteriormente anulados. “Isso é uma repetição do mesmo roteiro”, disse.

Contexto geopolítico

As declarações de Morales ocorrem em meio a um contexto de tensão entre o governo boliviano e os Estados Unidos. Recentemente, Washington anunciou novas sanções contra funcionários bolivianos acusados de corrupção e ligações com o narcotráfico. O governo de Arce, por sua vez, tem buscado estreitar laços com a China e a Rússia, mas nega qualquer interferência externa em seus processos judiciais.

Analistas políticos ouvidos pela reportagem destacam que a crise jurídica envolvendo Morales reflete a polarização interna na Bolívia, com setores da oposição e do governo usando o Judiciário como arma política. “Não há evidências concretas de que os EUA estejam por trás do mandado, mas a narrativa de Morales ressoa entre seus seguidores”, afirmou o cientista político Carlos Pacheco, da Universidade de La Paz.

Impacto político

O novo mandado de prisão pode complicar ainda mais a relação entre o governo Arce e a base de apoio de Morales, que ainda possui grande influência entre sindicatos e movimentos sociais. Em 2025, uma pesquisa mostrou que 38% dos bolivianos acreditam que as acusações contra o ex-presidente são motivadas politicamente, enquanto 42% consideram que ele deve responder na Justiça. O restante não opinou.

Morales, que governou a Bolívia por quase 14 anos, de 2006 a 2019, ainda é uma figura polarizadora no país. Seus apoiadores prometem protestos caso ele seja preso. A situação segue sendo monitorada por organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), que pediu transparência no processo.

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