No setor da construção civil, as construtoras mapeiam diversos tipos de passivos – ambiental, trabalhista e jurídico – para evitar surpresas após a entrega da obra. No entanto, segundo a engenheira geotécnica Roberta Sammour, da Sammour Engenharia, existe um passivo que se destaca por sua invisibilidade e permanência: o passivo de fundação.
O que é o passivo invisível?
O passivo invisível refere-se a problemas que não são detectados durante a construção e que podem comprometer a obra a longo prazo. Enquanto passivos ambientais, trabalhistas e jurídicos podem ser auditados e resolvidos com relativa facilidade, o passivo de fundação é diferente: ele não pode ser inspecionado depois que a obra está concluída, pois as fundações ficam enterradas e inacessíveis.
Por que o passivo de fundação é o mais crítico?
Roberta Sammour explica que “um problema de fundação compromete a própria viabilidade física do empreendimento”. Isso ocorre porque as fundações são a base estrutural de qualquer construção. Se houver falhas nessa etapa, todo o edifício pode sofrer consequências graves, como trincas, desníveis e até colapso. Diferentemente de outros passivos, que podem ser corrigidos com intervenções superficiais, um erro de fundação exige obras de reforço complexas e caras, muitas vezes inviáveis.
Impactos de problemas de fundação
Os impactos vão além da segurança. Problemas de fundação podem atrasar cronogramas, gerar custos imprevistos e reduzir o valor do imóvel. Em casos extremos, a única solução é demolir e reconstruir. Além disso, o passivo de fundação pode se manifestar anos após a conclusão, quando a construtora já não tem mais responsabilidade direta, mas a reputação fica prejudicada.
- Segurança: risco de desabamento ou danos estruturais.
- Custo: reparos milionários que consomem o lucro da obra.
- Tempo: paralisações prolongadas e retrabalho.
- Imagem: perda de credibilidade no mercado.
A importância de um projeto de fundação sólido
Para evitar o passivo invisível, a engenheira recomenda investir em estudos geotécnicos detalhados antes do início da obra. “É fundamental conhecer o solo, escolher o tipo de fundação adequado e executar com rigor técnico”, afirma. A supervisão durante a execução também é crucial, pois qualquer desvio do projeto pode gerar passivos futuros. A Sammour Engenharia defende que a prevenção é a única forma de eliminar esse risco oculto.
Conclusão
O passivo de fundação é um desafio silencioso que toda construtora deve encarar com seriedade. Ao contrário de outros passivos, ele não pode ser inspecionado ou corrigido depois. Por isso, a atenção deve estar na fase de projeto e execução. Como ressalta Roberta Sammour, “ignorar esse passivo é colocar em risco a própria viabilidade do empreendimento”.



