EUA lançam ataques contra o Irã e retomam bloqueio naval no Golfo
EUA atacam Irã e retomam bloqueio naval

Os Estados Unidos lançaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos e retomaram o bloqueio naval no Golfo Pérsico, anunciou o Pentágono nesta terça-feira (14). A ação militar ocorre em resposta ao que Washington descreve como “provocações contínuas” de Teerã na região.

Detalhes dos ataques

Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, os ataques atingiram instalações de mísseis e drones em três províncias iranianas: Hormozgan, Bushehr e Khuzestan. “Foram destruídos sistemas de lançamento que ameaçavam navios comerciais e militares no Golfo”, afirmou o porta-voz do Pentágono, general Patrick Ryder. A operação envolveu caças F-35 e bombardeiros B-52, que decolaram de bases no Oriente Médio.

O bloqueio naval, que havia sido suspenso em 2023, foi restabelecido para “impedir o contrabando de armas e petróleo iraniano”, segundo comunicado oficial. Navios da Quinta Frota dos EUA, sediada no Bahrein, já iniciaram patrulhas e inspeções em embarcações suspeitas.

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Reação do Irã

O governo iraniano condenou veementemente os ataques. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou a ação como “violação flagrante do direito internacional”. “O Irã tem o direito de responder no tempo e local apropriados”, disse em entrevista coletiva. A agência de notícias estatal IRNA reportou que pelo menos 12 pessoas morreram e 30 ficaram feridas nos bombardeios.

Analistas apontam que a escalada pode levar a um conflito mais amplo. “Estamos vendo o maior confronto direto entre EUA e Irã desde 2020”, avalia Vali Nasr, professor de Relações Internacionais da Universidade Johns Hopkins. “O bloqueio naval é uma medida extrema que pode estrangular a economia iraniana e provocar retaliações no Estreito de Ormuz.”

Impacto global

O preço do petróleo disparou mais de 8% com a notícia, ultrapassando US$ 90 o barril do tipo Brent. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, é uma rota crítica que o Irã já ameaçou fechar. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) convocou reunião de emergência para esta quinta-feira.

A União Europeia pediu moderação. “É imperativo evitar uma escalada descontrolada”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, em nota. Já Israel manifestou apoio aos EUA, enquanto Rússia e China criticaram a ação e pediram o fim imediato das hostilidades.

Contexto histórico

As relações entre EUA e Irã vêm se deteriorando desde que Washington retirou-se do acordo nuclear em 2018, sob o governo Trump. O presidente Joe Biden tentou retomar negociações, mas as conversas em Viena fracassaram em 2024. Desde então, houve uma série de incidentes: ataques a navios petroleiros, sabotagem em instalações nucleares e exercícios militares iranianos no Golfo.

O bloqueio naval, segundo especialistas, é uma reminiscência da “Guerra dos Petroleiros” nos anos 1980, quando os EUA escoltavam navios kuwaitianos e enfrentaram a marinha iraniana. “Estamos repetindo erros do passado sem uma estratégia clara”, alerta Suzanne Maloney, do Brookings Institution.

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