Um estudo de três anos conduzido por pesquisadores internacionais reforça a eficácia da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável como método superior para prevenir o HIV. A pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, acompanhou mais de 4.500 participantes em risco de infecção em oito países, incluindo Brasil. Os resultados indicam que a injeção bimestral de cabotegravir reduziu o risco de contrair HIV em 99% entre os participantes que seguiram o protocolo corretamente, superando a eficácia de 91% observada com a PrEP oral diária de tenofovir/emtricitabina.
Detalhes do estudo e metodologia
O ensaio clínico randomizado, realizado entre 2020 e 2023, comparou diretamente as duas formas de profilaxia. Participantes de populações-chave, como homens que fazem sexo com homens, mulheres trans e usuários de drogas injetáveis, receberam ou a injeção ou o comprimido oral. O estudo foi interrompido precocemente após a constatação da superioridade do cabotegravir, com 98% dos participantes optando por continuar com a PrEP injetável ao final do período. Segundo a coordenadora do estudo, Dra. Adele Sullivan, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, "a PrEP injetável oferece uma opção eficaz e discreta, que pode aumentar a adesão ao tratamento e reduzir novas infecções globalmente".
Impacto para a saúde pública
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomendou a PrEP injetável como alternativa à oral, e o estudo de três anos fornece evidências robustas para sua implementação em escala. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece PrEP oral desde 2017, mas a opção injetável ainda não está disponível. Especialistas apontam que a injeção bimestral pode simplificar a rotina de prevenção, especialmente para pessoas com dificuldade de aderir ao uso diário de comprimidos. O Ministério da Saúde brasileiro acompanha os resultados e avalia a incorporação da tecnologia. Estima-se que, se implementada, a PrEP injetável poderia evitar até 30 mil novas infecções por HIV no país nos próximos cinco anos.
Desafios e próximos passos
Apesar da alta eficácia, o custo da PrEP injetável ainda é uma barreira para países de baixa e média renda. O estudo menciona que acordos de licenciamento voluntário com fabricantes de genéricos podem reduzir o preço para menos de 50 dólares por dose anualmente. Além disso, a resistência à injeção entre alguns grupos e a necessidade de treinamento de profissionais de saúde são obstáculos a serem superados. A pesquisa continuará por mais dois anos para avaliar a durabilidade da proteção e possíveis efeitos adversos a longo prazo. "Estamos otimistas de que a PrEP injetável se tornará uma ferramenta fundamental na luta contra o HIV", afirmou o Dr. Roberto Ortiz, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, que participou do estudo.



