Estrangeiros vendem recorde de ações sul-coreanas com receios sobre IA
Estrangeiros vendem recorde de ações sul-coreanas

Investidores estrangeiros realizaram a maior venda líquida mensal de ações sul-coreanas da história em junho, totalizando US$ 3,2 bilhões, segundo dados da Bolsa da Coreia do Sul (KRX) compilados pelo Valor. O montante superou o recorde anterior de US$ 2,9 bilhões registrado em maio de 2020, durante o pico da pandemia de Covid-19. O movimento ocorre em meio a crescentes preocupações com o impacto da inteligência artificial (IA) nos lucros de empresas de tecnologia e à desaceleração da economia global.

Contexto do mercado e fatores determinantes

A venda recorde reflete o pessimismo de investidores globais em relação ao setor de semicondutores, que representa cerca de 30% do índice Kospi. A Samsung Electronics, maior empresa do país por valor de mercado, viu suas ações caírem 12% no trimestre, enquanto a SK Hynix, segunda maior fabricante de chips de memória, recuou 18% no mesmo período. Segundo analistas, o temor é de que os altos investimentos em IA não gerem retornos esperados no curto prazo, levando a uma correção nos valuations.

"Os investidores estrangeiros estão reduzindo exposição a mercados emergentes, especialmente aqueles com forte dependência de tecnologia, diante do aumento da aversão ao risco global", afirmou Kim Seong-ho, estrategista do Mirae Asset Securities, em nota a clientes. Ele acrescentou que a decisão do Federal Reserve de manter juros elevados por mais tempo também contribuiu para a saída de capitais.

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Impacto nos índices e na economia sul-coreana

A saída de estrangeiros pressionou o Kospi, que caiu 4,5% em junho, acumulando perda de 8,2% no segundo trimestre. O won sul-coreano também se depreciou 3,1% frente ao dólar no mês, atingindo o menor nível em dois anos. A venda recorde de ações ocorre em um momento de incertezas políticas, com o governo do presidente Yoon Suk-yeol enfrentando queda de popularidade e dificuldades para aprovar reformas econômicas.

Dados do Banco da Coreia mostram que a fuga de capitais estrangeiros do mercado de ações atingiu US$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor desde 2008. Especialistas alertam que, se o movimento continuar, pode afetar o financiamento de empresas e a estabilidade financeira do país. "A Coreia do Sul precisa diversificar sua base de investidores e reduzir a dependência do setor de tecnologia para atrair fluxos mais estáveis", disse Park Jae-min, economista do Korea Development Institute.

Perspectivas e reações do governo

O Ministério das Finanças sul-coreano anunciou que monitora de perto os fluxos de capital e está preparado para tomar medidas estabilizadoras, se necessário. Entre as opções estão a ampliação de linhas de swap com o Banco da Coreia e a flexibilização de regras para investidores estrangeiros. No entanto, analistas consideram que as medidas podem ter efeito limitado sem uma reversão do cenário global.

"Enquanto as preocupações com IA e juros altos persistirem, é provável que os estrangeiros continuem vendendo ações sul-coreanas", avaliou Lee Jae-won, analista da KB Securities. Ele destacou que a venda recorde de junho pode ser um sinal de que o mercado ainda não encontrou um piso.

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