Espanha na Copa: seleção reflete diversidade cultural e regional do país
Espanha na Copa: seleção reflete diversidade cultural

A seleção espanhola enfrenta a França nesta terça-feira (14) na semifinal da Copa do Mundo de 2026, em busca do bicampeonato mundial. Mais do que um time de futebol, o elenco comandado por Luis de la Fuente é um reflexo da rica diversidade cultural e regional da Espanha, organizada em 17 comunidades autônomas e duas cidades autônomas.

Catalunha: Lamine Yamal e a nova geração

O jovem atacante Lamine Yamal, de 19 anos, nasceu em Esplugues de Llobregat, na região metropolitana de Barcelona, Catalunha. Filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, Yamal representa a crescente diversidade étnica do país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estadística (INE), o crescimento populacional espanhol no primeiro trimestre de 2026 foi de 97 mil pessoas, impulsionado principalmente pela imigração de colombianos, marroquinos e venezuelanos.

A Catalunha, no nordeste da Espanha, é conhecida por seu forte movimento separatista e identidade cultural própria, com o catalão como língua cooficial. Tradições como os Castells, torres humanas que podem atingir 13 metros, são Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Além de Yamal, outros catalães na seleção incluem Dani Olmo, Pau Cubarsí, Eric García, Marc Cucurella, Marc Pubill, Joan García, David Raya e Víctor Muñoz.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Madri: o poder central

O volante Rodri, líder da seleção, nasceu em Madri, capital e centro político-administrativo do país. Diferente de regiões autônomas como Catalunha e País Basco, Madri é associada ao poder central espanhol, abrigando o Parlamento, o governo nacional e o Palácio Real. A Espanha é uma monarquia parlamentarista, com o rei Felipe VI como chefe de Estado e o primeiro-ministro como chefe de governo. Além de Rodri, Álvaro Morata e Marcos Llorente também são da região, berço do Real Madrid.

Andaluzia: flamenco e herança árabe

O meia Fabián Ruiz nasceu em Los Palacios y Villafranca, na província de Sevilha, Andaluzia, a comunidade autônoma mais populosa da Espanha. Banhada pelo Atlântico e pelo Mediterrâneo, a região abriga o Estreito de Gibraltar, que separa a Europa da África por apenas 14 km. A Andaluzia é conhecida pelo flamenco, pelas feiras andaluzas e pelo legado árabe, visível em monumentos como a Alhambra de Granada e a Mesquita-Catedral de Córdoba.

Ilhas Canárias: Pedri e Yéremy Pino

Os jogadores Pedri (Tenerife) e Yéremy Pino (Las Palmas) representam as Ilhas Canárias, arquipélago vulcânico a sudoeste da Espanha, próximo à África. A região mistura influências aborígenes (povo Guanche), espanholas, africanas e latino-americanas. O Carnaval de Santa Cruz de Tenerife é um dos mais famosos da Europa. Segundo pesquisa do INE em 2026, o número de turistas no país aumentou 2,5% no primeiro trimestre, superando 17,5 milhões, com as Canárias como principal destino.

Galícia: Borja Iglesias e a cultura celta

O atacante Borja Iglesias, natural de Santiago de Compostela, é o único galego na seleção. A Galícia, no noroeste, tem o galego como língua própria, com origem comum ao português. A influência portuguesa é forte na gastronomia (peixes, mariscos, polvo) e nas tradições. Santiago de Compostela é um dos principais destinos de peregrinação cristã, com o Caminho de Santiago. A região possui movimentos autonomistas que valorizam a identidade galega.

País Basco: Nico Williams e a língua única

Nico Williams nasceu em Pamplona, Navarra, mas é símbolo do futebol basco contemporâneo. O País Basco, no norte, tem o euskera como língua sem relação com outras da Europa. A região foi marcada pelo conflito com o grupo separatista ETA, dissolvido em 2018. A seleção conta com seis jogadores bascos: Unai Simón, Aymeric Laporte, Martín Zubimendi, Mikel Merino, Mikel Oyarzabal e Nico Williams.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar