Dubai planeja megaporto para evitar estreito de Ormuz
Dubai planeja porto para driblar estreito de Ormuz

O governo de Dubai revelou nesta segunda-feira (14) planos ambiciosos para a construção de um megaporto que permitirá ao emirado contornar o estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas e voláteis do comércio global de petróleo. O projeto, orçado em US$ 1,5 bilhão, prevê a criação de um terminal de águas profundas na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, com capacidade para movimentar até 10 milhões de contêineres por ano.

Detalhes do projeto

O novo porto, batizado de Al-Maktoum Deepwater, será construído na cidade de Fujairah, já um importante terminal petrolífero, mas agora ampliado para se tornar um hub logístico de grande escala. "Este porto não é apenas uma questão de comércio, é uma questão de segurança nacional e resiliência econômica", afirmou o xeique Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e governante de Dubai, em comunicado oficial.

Segundo o governo de Dubai, o porto terá um canal de navegação com 18 metros de profundidade, suficiente para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo, e estará conectado por ferrovia ao interior do país. A primeira fase do projeto deve ser concluída até 2030.

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Contexto geopolítico

O estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, é uma passagem crítica por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial e um terço do gás natural liquefeito. Tensões regionais, como o aumento dos ataques a navios comerciais por grupos houthis do Iêmen e as sanções ao Irã, têm elevado os prêmios de seguro e os custos logísticos para navios que cruzam a região.

"Depender exclusivamente do estreito de Ormuz é um risco que não podemos mais correr", disse o ministro da Economia dos Emirados Árabes Unidos, Abdulla bin Touq Al Marri, em entrevista coletiva. "Com este porto, criamos uma alternativa viável que protege nossas cadeias de suprimento e reforça nossa posição como centro logístico global."

Impacto econômico

O projeto deve gerar 50 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e operação inicial. A expectativa é que o porto movimente inicialmente 5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano, com potencial de expansão futura. Analistas apontam que a iniciativa pode redesenhar as rotas marítimas no Oriente Médio, atraindo cargas que atualmente passam pelos portos de Jebel Ali (Dubai) e Khalifa (Abu Dhabi).

"É um movimento estratégico que diversifica a economia dos Emirados, reduzindo a dependência do petróleo e fortalecendo o setor de serviços logísticos", comentou John Sfakianakis, diretor de pesquisa econômica do Gulf Research Center. "Mas o sucesso dependerá da estabilidade regional e da capacidade de atrair investimentos privados."

Desafios e críticas

Ambientalistas locais já manifestaram preocupação com o impacto do megaporto nos ecossistemas marinhos da costa leste, área conhecida por recifes de coral e manguezais. O governo afirma que realizará estudos de impacto ambiental e adotará medidas de mitigação, mas organizações não governamentais pedem transparência no processo.

Além disso, especialistas em segurança apontam que o porto em Fujairah também pode se tornar alvo em caso de conflito regional, já que está a apenas 150 km do estreito de Ormuz. "Nenhum porto está completamente seguro em uma região tão volátil", alerta a analista de segurança do Instituto de Estudos Estratégicos de Abu Dhabi, Fatima Al-Sayegh. "Mas ter uma alternativa logística é melhor do que não ter nenhuma."

O projeto de lei para autorizar a construção será enviado ao Conselho Nacional Federal dos Emirados Árabes Unidos nas próximas semanas. Se aprovado, as obras devem começar no primeiro trimestre de 2027.

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